Interpretação da norma YB/T 4275 «Requisitos técnicos gerais para guindastes metalúrgicos»

⚠️ A norma YB/T 4275, «Requisitos Técnicos Gerais para Guindastes Metalúrgicos», estabelece os requisitos técnicos gerais para os diversos tipos de guindastes metalúrgicos utilizados nos processos de fundição de aço e metais não ferrosos, abrangendo a classificação por níveis de trabalho, a conceção adaptada ao ambiente, a proteção elétrica e as normas de inspeção e manutenção, constituindo a norma de base para a conceção, fabrico e aceitação de guindastes metalúrgicos.

As gruas metalúrgicas estão ao serviço de todo o processo de fundição do aço — desde a alimentação do alto-forno, passando pela mistura do ferro no conversor e pela produção de lingotes em lingotamento contínuo, até à alimentação da linha de laminação; cada etapa do processo apresenta requisitos técnicos distintos para as gruas. A norma YB/T 4275 estabelece uma base técnica unificada para estes guindastes metalúrgicos com diferentes finalidades, conciliando a adaptação aos processos e a rentabilidade, sem comprometer a segurança. A Krud Heavy Industry dispõe de uma gama completa de guindastes metalúrgicos, incluindo guindastes de alimentação, guindastes de fundição, guindastes com pinças e guindastes com ímãs eletromagnéticos, entre outros modelos.

YB/T 4275冶金起重机七大类与技术要求全景图

Classificação e níveis de trabalho das gruas metalúrgicas

A norma YB/T 4275 classifica as gruas metalúrgicas em sete grandes categorias, de acordo com a sua aplicação nos processos metalúrgicos: gruas de alimentação (para alimentar os fornos de fundição), gruas de fundição (para movimentar cubas de aço fundido/cubas de ferro fundido), guindastes de desmoldagem (desmoldagem), guindastes com pinças (para segurar e virar lingotes de aço), guindastes para caixas de material (para transporte de caixas de material), guindastes com ímãs eletromagnéticos (para manuseamento de sucata de aço e materiais a granel) e guindastes de forja (para operar em conjunto com prensas de forja). O nível de serviço dos mecanismos de cada categoria varia entre M5 e M8, sendo que o mecanismo de elevação das gruas de fundição apresenta o nível de serviço mais elevado (M7 a M8).

A determinação do nível de serviço constitui o primeiro passo na conceção de guindastes metalúrgicos. A norma ISO 4301/1 classifica os mecanismos em oito níveis, de M1 a M8, sendo que o mecanismo de elevação dos guindastes metalúrgicos deve ser, no mínimo, de nível M6. O nível de serviço não só determina os coeficientes de segurança e os critérios de verificação da vida útil à fadiga na conceção da estrutura, como também influencia a seleção do motor, do travão e dos cabos de aço. Uma determinação errada do nível de serviço levará a que o equipamento seja excessivamente pesado (sobredimensionamento) ou a que sofra uma falha prematura (vida útil à fadiga insuficiente).


Requisitos relativos ao sistema elétrico e à proteção

As condições elétricas na oficina metalúrgica são extremamente adversas: a radiação térmica de alta temperatura faz com que a temperatura no interior dos armários elétricos possa atingir mais de 60 °C; a acumulação de poeira condutora (pó de grafite, poeira de óxido de ferro) na superfície dos componentes elétricos pode provocar curto-circuitos; e as interferências eletromagnéticas geradas por um grande número de variadores de frequência e fornos de média frequência afetam a estabilidade do sistema de controlo. A norma YB/T 4275 exige que o grau de proteção dos armários elétricos não seja inferior a IP54; além disso, deve ser instalado no interior dos armários um sistema de ventilação de pressão positiva (ar comprimido externo, após ser seco e filtrado, é introduzido no interior do armário, criando uma ligeira pressão positiva que impede a entrada de poeira).

O sistema de controlo deve ser concebido para resistir a interferências eletromagnéticas. Os cabos de sinal e os cabos de alimentação devem ser instalados separadamente, com uma distância mínima de 300 mm entre si. Os sinais analógicos (como os sinais dos sensores de pesagem) devem ser transmitidos através de cabos trançados blindados e deve ser instalado um filtro passa-baixa no PLC. A norma recomenda a utilização de um PLC de ampla gama de temperaturas (temperatura de funcionamento de -20 ℃ a +70 ℃). O variador de frequência deve estar equipado com um reator de entrada e um filtro de saída, de modo a reduzir a poluição harmónica da rede elétrica e o impacto dv/dt no motor.


Estruturas de aço e adaptabilidade ambiental

O projeto da estrutura de aço das gruas metalúrgicas deve ter especialmente em conta o impacto da radiação térmica. A norma YB/T 4275 exige a realização de uma análise de acoplamento térmico na alça inferior da viga principal e nas vigas terminais, que estão frequentemente sujeitas a radiação térmica. A resistência de escoamento do aço começa a diminuir significativamente quando a temperatura ultrapassa os 300 °C (por cada aumento de 100 °C, a resistência de escoamento diminui cerca de 10%~15%). Quando se prevê que a temperatura numa determinada parte da estrutura ultrapasse os 200 °C, a tensão admissível de projeto deve ser multiplicada por um coeficiente de redução devido à temperatura.

No que diz respeito a ambientes corrosivos, as estruturas de aço das gruas nas oficinas de decapagem (névoa de ácido HCl e H₂SO₄) e nas oficinas de galvanoplastia devem ser revestidas com um sistema de pintura anticorrosiva de classe não inferior a C4. Todas as superfícies de usinagem expostas (como a banda de rodagem das rodas e a superfície dos dentes das engrenagens) devem ser protegidas com graxa antiferrugem. No caso de guindastes com ímã eletromagnético utilizados ao ar livre, deve-se ainda considerar a proteção contra a chuva, devendo o grau de proteção da caixa de ligações do íman eletromagnético ser IP67.


Manutenção, inspeção e gestão operacional

O apêndice da norma YB/T 4275 apresenta uma tabela de periodicidades de manutenção e inspeção das gruas metalúrgicas. O conteúdo essencial é o sistema dos ”três um”: uma inspeção de rotina por turno (cabos de aço, travões, dispositivos de segurança); uma inspeção específica mensal (isolamento elétrico, estado de lubrificação, deformações estruturais); uma inspeção completa anual (inspeção não destrutiva, ensaio de carga, teste de funcionamento do sistema de controlo). Todos os resultados das inspeções devem ser registados, devendo as reparações de grande envergadura ser acompanhadas de um plano de reparação e de um registo de aceitação.

A norma exige ainda a criação de um ”registo de funcionamento” do guindaste, no qual sejam registadas todas as reparações de avarias, substituições de peças e resultados das inspeções periódicas. Quando o tempo de funcionamento acumulado atingir 80 % da vida útil prevista, deve ser realizada uma avaliação exaustiva dos danos por fadiga nas principais peças estruturais (incluindo inspeção visual, reexame por MT/UT das soldaduras críticas e medição da espessura em pontos-chave), devendo ser elaborado um plano de prolongamento da vida útil ou de desativação com base nos resultados dessa avaliação.


Categorias de guindastes metalúrgicos Capacidade de elevação típica Nível de trabalho (elevação) Configurações especiais Posto de trabalho aplicável
Guindaste de fundição 100~450 t M7~M8 Dupla travagem + proteção contra quedas + isolamento térmico Colheita de aço em conversor/forno elétrico
Guindaste de alimentação 20 a 50 t M6~M7 Mecanismo de basculamento da calha de material Abertura de alimentação do alto-forno/forno elétrico
Guindaste com pinças 10 a 40 t M6~M7 Abertura e fecho da pinça + rotação Laminagem inicial/produção de lingotes por fundição contínua
Guindaste com íman eletromagnético 10 a 30 t M6 Electroímã + bateria de reserva Pátio de sucata
Guindaste para remoção de lingotes 50 a 200 t M7 Pino de desmoldagem + pinça Desmoldagem de peças moldadas
Guindaste de forja 20 a 80 t M7~M8 Resposta rápida + alta precisão Oficina de forjamento
Ciclo de inspeção Itens de análise Métodos de ensaio Critérios de conformidade
Por turma Cabo de aço + travão + limitador Inspeção visual + ensaio manual Sem anomalias evidentes
mensalmente Isolamento elétrico + lubrificação Medidor de isolamento + lubrificação com graxa Isolamento ≥ 1 MΩ
trimestralmente Binário de travagem + aspeto estrutural Chave dinamométrica + inspeção visual Binário ≥ binário nominal de travagem
a cada seis meses Ensaio de carga + dispositivos de segurança 1,25× carga estática + ensaio funcional Sem anomalias
Todos os anos Inspeção não destrutiva (NDT) abrangente + inspeção dimensional UT/MT+ Instrumentos de medição Sem defeitos que excedam os limites permitidos
Vida útil prevista: 80% Avaliação de danos por fadiga MT/UT da costura de soldadura + espessura da parede Elaboração de planos de prolongamento da vida útil/desativação

Sistema de categorias
Sete grandes categorias
Abrangendo todo o processo metalúrgico
Nível de função
M6~M8
Máximo do mecanismo de elevação: M8
Proteção elétrica
IP54+ ventilação com pressão positiva
Resistência às interferências eletromagnéticas
Análise da radiação térmica
Redução para temperaturas > 200 ℃
Cálculo do acoplamento térmico
Sistema de inspeção
Sistema dos «Três Uns»
Inspeção de turma + Inspeção mensal + Inspeção anual
Arquivo de execução
Registo de todo o ciclo de vida
Avaliação da vida útil do 80%

Perguntas frequentes

P: Quais são as principais diferenças técnicas entre as gruas metalúrgicas e as gruas de ponte de uso geral?

Resposta: As principais diferenças manifestam-se em quatro aspetos: em primeiro lugar, o nível de trabalho é mais elevado (M6~M8 vs M4~M6), o que implica requisitos mais exigentes em termos de resistência à fadiga de todas as peças do mecanismo; em segundo lugar, os requisitos de adaptação ambiental são mais rigorosos, sendo necessário ter em conta o impacto da radiação térmica a altas temperaturas e do pó condutor de eletricidade; em terceiro lugar, a configuração de redundância de segurança é mais completa, sendo que as gruas de fundição exigem duplo sistema de travagem e dispositivo anti-queda; em quarto lugar, o regime de inspeção e manutenção é mais rigoroso, sendo que os itens de inspeção periódica das gruas metalúrgicas são cerca de 50% mais numerosos do que os das gruas de uso geral.

Pergunta: Como evitar que a sucata caia quando a guindaste com íman eletromagnético fica sem energia?

Resposta: A norma YB/T 4275 exige que os guindastes com íman eletromagnético estejam equipados com um sistema de alimentação por bateria de reserva. Quando se verifica uma falha na alimentação principal, o sistema de controlo muda automaticamente para o modo de alimentação por bateria, mantendo a corrente de excitação do íman eletromagnético durante, pelo menos, 15 minutos, de modo a proporcionar ao operador tempo suficiente para baixar a carga em segurança até ao solo. A capacidade da bateria deve ser testada trimestralmente, devendo esta ser substituída caso a capacidade seja inferior a 80% do valor nominal. Além disso, durante o transporte de sucata de aço, é estritamente proibida a entrada de pessoas e veículos na área de projeção da operação de elevação.

P: Como é que o sistema de manutenção ”três uns” das gruas metalúrgicas pode ser efetivamente aplicado na prática?

Resposta: A chave para uma execução eficaz consiste em integrar os itens de inspeção nos processos operacionais de produção. As inspeções por turno devem ser realizadas após a troca de turno e antes do início das operações, devendo os resultados ser registados no registo de troca de turno; as inspeções mensais são realizadas no último turno diurno do mês, lideradas pelo Departamento de Equipamentos e com a colaboração da equipa de operação; A inspeção anual abrangente é realizada durante a revisão de fim de ano, sendo o relatório de inspeção emitido por uma entidade de inspeção terceirizada devidamente credenciada. Todos os registos são arquivados de forma unificada, servindo de base para a gestão de equipamentos e auditorias de segurança.

P: Como é que se coordena o funcionamento de várias gruas numa oficina metalúrgica?

Resposta: A norma YB/T 4275 recomenda a instalação de um sistema de prevenção de colisões e de gestão de tráfego para guindastes. O sistema monitoriza em tempo real a posição e a direção de movimento de cada grua através de telemetria a laser e localização por encoder. Quando duas gruas se aproximam a uma distância inferior a 5 m, o sistema limita automaticamente a velocidade do carro das duas gruas para uma velocidade baixa (≤10 m/min); quando a distância é inferior a 2 m, é efetuada uma paragem de emergência. No que diz respeito à função de coordenação, o sistema pode atribuir automaticamente tarefas de elevação com base no plano de produção, evitando a perda de eficiência resultante da operação simultânea de várias gruas na mesma área.

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