Guindaste móvel: requisitos de uso seguro segundo a norma ISO 12480

A norma GB/T 23723.2-2008 — "Guindastes — Uso seguro — Parte 2: Guindastes móveis" é o documento normativo central para a operação segura de guindastes móveis. A norma especifica os requisitos de uso seguro para guindastes móveis — incluindo guindautos, guindastes de esteiras e guindastes todo-terreno — ao longo de todo o processo de seleção, instalação, operação, manutenção e desmontagem, correspondendo à ISO 12480-2:2004 (IDT).

A GB/T 23723.2-2008 é a Parte 2 da série de normas de uso seguro de guindastes e estabelece requisitos específicos para a operação segura e a gestão operacional de guindastes móveis. Estes equipamentos combinam funções de deslocamento e içamento, pelo que os requisitos de uso seguro abrangem múltiplos aspetos, como a operação dos estabilizadores, o controlo da variação de alcance e a tabela de características de elevação. Este artigo analisa em detalhe as cláusulas essenciais da norma.

Norma GB/T 23723.2-2008 de segurança para guindastes móveis


Posicionamento da norma e responsabilidades de segurança

A GB/T 23723.2-2008 é a Parte 2 da série GB/T 23723 "Guindastes — Uso seguro" e constitui um dos dossiês técnicos mais importantes para a gestão de segurança na utilização de guindastes móveis. A norma define as responsabilidades de segurança de todas as partes envolvidas: o proprietário do equipamento é responsável por fornecer equipamentos e manuais de operação que cumpram os requisitos de segurança; o utilizador (locatário) é responsável por inspecionar o estado de segurança do equipamento e garantir que os operadores possuem certificado de operador; o operador é responsável por cumprir o manual de operação e o regulamento de segurança; o sinaleiro é responsável pela elaboração do plano de içamento e pela coordenação no local; e o pessoal de manutenção é responsável pela manutenção periódica e pela reparação de avarias. A gestão de segurança na utilização de guindastes móveis deve abranger todo o ciclo: "seleção, entrada no local, instalação, operação, desmontagem e saída do local".

Requisitos do local e do terreno

Os guindastes móveis impõem exigências ao local de trabalho muito superiores às dos guindastes fixos: o terreno deve ser firme e nivelado, e a capacidade de suporte do solo deve satisfazer a pressão exercida pelo guindaste (a pressão de contato com o solo dos estabilizadores de um guindaste sobre caminhão é de aproximadamente 0,5~1,5 MPa; a de um guindaste de esteiras é de aproximadamente 0,05~0,15 MPa). O terreno sob os estabilizadores deve ser limpo de obstáculos, e em solos moles devem ser colocadas placas de distribuição ou chapas de aço (dimensões da placa de distribuição ≥2m×2m, espessura ≥20mm). Inclinação do terreno — durante a operação, o guindaste deve estar nivelado, com inclinação não superior a 1% (0,5°). Quando os estabilizadores se encontram junto a bordas de taludes ou valas, a distância entre o centro do estabilizador e a linha superior do talude não deve ser inferior a 2 vezes a profundidade da vala.

Segurança na operação dos estabilizadores

A norma especifica em detalhe os requisitos de segurança para a operação dos estabilizadores: as operações de içamento só podem ser iniciadas após a extensão total e o assentamento dos estabilizadores. Quando os estabilizadores não estão totalmente estendidos (condição de semi-extensão), a capacidade nominal deve seguir os valores indicados na tabela de capacidade para estabilizadores semi-estendidos, sendo rigorosamente proibido utilizar os valores de capacidade nominal de estabilizadores totalmente estendidos em condições de semi-extensão. Após a extensão dos estabilizadores, a válvula de travamento hidráulico do cilindro hidráulico deve ser fechada para evitar o recolhimento dos estabilizadores em caso de rutura acidental da tubulação hidráulica. As esteiras dos guindastes de esteiras devem ser tensionadas até ao valor especificado e bloqueadas.

Capacidade de suporte do solo
Guindaste sobre caminhão: 0,5~1,5 MPa
Guindaste de esteiras: 0,05~0,15 MPa
Placa de distribuição
≥2m×2m
Chapa de aço ≥20mm
Inclinação do terreno
≤1% (0,5°)
Operação nivelada
Trava hidráulica do estabilizador
Após a extensão
fechar a trava hidráulica
Zona de segurança operacional
Sob a lança + área circundante
Distância ≥1,5 m
Limite de velocidade do vento
≤7 graus (≤20 m/s)
Acima: operação proibida

Regras de segurança para operações de içamento

A norma estabelece o princípio das "Dez Regras de Proibição de Içamento" para operações com guindastes móveis: não içar em caso de sobrecarga ou peso da carga desconhecido; não içar com sinais de comando pouco claros ou com múltiplos comandantes; não içar com amarração inadequada ou centro de gravidade deslocado; não içar com pessoas sobre a carga ou sob a carga suspensa; não içar cargas puxadas obliquamente ou enterradas no solo; não içar em condições de iluminação insuficiente ou visibilidade obstruída; não içar com vento forte acima do grau 6 (velocidade do vento ≥13,8 m/s) (grau 7 para torres); não içar em caso de falha mecânica ou dispositivo de segurança inoperante; não içar quando o operador não possui certificado de operador; não içar cargas com bordas afiadas sem proteções adequadas.

Antes do içamento, deve ser realizado um içamento de teste — elevar a carga a uma altura de 200 mm do solo, mantendo-a durante aproximadamente 2 min, para verificar a fiabilidade do freio, a estabilidade do guindaste, e as condições dos estabilizadores e do terreno. Após confirmar que não existem anomalias, prossegue-se com a elevação. O processo de içamento deve ser lento e suave, evitando arranques e paragens bruscas (aceleração de elevação ≤0,5 m/s²). Durante a operação de içamento, o operador deve observar continuamente o estado da carga, dos estabilizadores e do ambiente no local, não podendo abandonar o posto de operação sem autorização.

Limitações operacionais e ambientes especiais

A norma define as limitações de operação segura de guindastes móveis em ambientes especiais: operação junto a linhas de alta tensão — a distância de segurança entre o guindaste e a linha de alta tensão deve cumprir a DL 5009: <1 kV ≥1,5 m; 1~10 kV ≥2 m; 35 kV ≥3 m; 110 kV ≥4 m; 220 kV ≥6 m; 500 kV ≥8,5 m. Quando não for possível cumprir os requisitos de distância, deve ser solicitada a interrupção do fornecimento de energia ou a operação deve ser realizada sob supervisão de isolamento. Operação conjunta de múltiplos guindastes — deve ser elaborado um plano de içamento detalhado, com um comandante geral designado. A carga de cada guindaste não deve exceder 75% da sua capacidade nominal, e as velocidades de elevação devem ser sincronizadas. Operação noturna — deve ser garantida iluminação adequada, com iluminância não inferior a 50 lx na carga e no gancho. Ambientes de calor ou frio extremos — quando a temperatura exceder 40°C ou for inferior a -20°C, devem ser adotadas medidas de proteção específicas. A Kelude Indústrias Pesadas oferece treinamento de operadores para guindastes móveis, abrangendo todos os pontos essenciais desta norma.


Tabela comparativa de uso seguro de guindastes móveis

A tabela comparativa seguinte apresenta os parâmetros essenciais para a seleção e configuração de guindastes móveis, servindo de referência para equipas de especificação técnica e operação segura.

← Deslize a tabela para vê-la completa →
Fase de operação requisitos de segurança Proibições resposta de emergência
Estabilizador Operação Capacidade de carga do solo≥1.2MPa Proibido Estabilizador Suspenso Calçoplaca de distribuição/Chapa de Aço
Elevação / Içamento Operação Pressionartabela de características de elevação Trabalho Proibidosobrecarga Parada imediata+Redução de carga
operação de lança Ângulo da Lança Dentro do limite Proibido exceder Alcance ajuste Alcanceou redução de carga
Operação de deslocamento Lança Recolher+Plataforma giratória Travamento Proibido Sob carga Deslocamento Abaixar Estabilizador/Abrir Lança

Perguntas Frequentes

P: Que limitações existem para operar um guindaste móvel em terreno inclinado?
R: A norma exige que o guindaste móvel opere exclusivamente em terreno nivelado. Para inclinações mínimas inevitáveis (≤1%), deve ser realizado o nivelamento dos estabilizadores. O curso de ajuste dos cilindros hidráulicos dos estabilizadores é limitado (geralmente ±200~300mm); inclinações que excedam a capacidade de regulação dos estabilizadores exigem o uso de calços ou placas de distribuição. É terminantemente proibido realizar operações de içamento em terreno com inclinação lateral (mesmo com os estabilizadores nivelados), pois o centro de gravidade do guindaste fica deslocado, reduzindo a resistência ao tombamento. Em superfícies com inclinação superior a 5°, não é permitida qualquer operação de içamento; o guindaste deve ser previamente transferido para uma área plana.
P: Qual é a função da trava hidráulica do estabilizador? Como verificar a sua confiabilidade?
R: A trava hidráulica do estabilizador (válvula de travamento do cilindro) é uma válvula de retenção unidirecional instalada na entrada de óleo do cilindro hidráulico. Quando o estabilizador é totalmente estendido, a válvula de travamento hidráulico fecha automaticamente, interrompendo o circuito de retorno do óleo. Mesmo em caso de rutura acidental da tubulação hidráulica ou perda de pressão na central hidráulica, o óleo hidráulico no interior do cilindro não pode escapar e o estabilizador não recolhe. A verificação da confiabilidade da válvula de travamento hidráulico deve ser realizada semanalmente: estenda o estabilizador, desligue o motor de combustão, abra a junta da mangueira de retorno do estabilizador (uma pequena quantidade de óleo a escorrer é normal) e observe a descida do estabilizador num período de 24h. A descida não deve exceder 10mm. Válvulas de travamento hidráulico que excedam este valor devem ser substituídas ou submetidas a manutenção.
P: Que fatores determinam a distância de segurança para operar um guindaste móvel perto de linhas de alta tensão?
R: A distância de segurança depende de três fatores: 1) as dimensões máximas do guindaste (distância entre a ponta da lança, o cabo de aço e a linha de alta tensão); 2) a oscilação da lança sob ação do vento (geralmente calculada como comprimento da lança × sen5°); 3) a distância de arco elétrico da linha de alta tensão (quanto maior a tensão, maior a distância de arco). Na prática, a distância de segurança adotada é normalmente a distância especificada pela norma acrescida de uma margem de segurança de 1 a 2 m. Se não for possível garantir essa distância, é obrigatório contactar a entidade responsável pelo fornecimento de energia para proceder ao corte de tensão e ao aterramento antes de qualquer operação — nunca tentar operar com margens reduzidas por conta própria.
P: Como deve ser estabelecido o sistema de comando durante o içamento conjunto com múltiplos guindastes?
R: Os requisitos da norma estabelecem que, para o içamento conjunto com múltiplos guindastes, deve ser implementada a seguinte estrutura de comando: 1) Nomeação de um comandante-geral (desempenhado por um engenheiro de içamento experiente), responsável pelo comando unificado e pela tomada de decisões; 2) Cada guindaste deve ter um subcomandante, responsável por reportar o estado da sua máquina ao comandante-geral e por operar de acordo com as instruções recebidas; 3) A comunicação entre o comandante-geral e os subcomandantes deve ser feita por rádio, em canal dedicado, para evitar interferências; 4) Antes do içamento, o comandante-geral deve conduzir um Briefing Técnico e uma simulação com todos os participantes; 5) Durante o içamento, o comandante-geral emite comandos verbais padronizados ("Elevação", "Pausa", "Descida", "Parar"), e cada subcomandante deve repetir a ordem para confirmação antes de operar o seu guindaste. É proibido que múltiplos guindastes recebam instruções verbais distintas em simultâneo.

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