KS B 6220: Requisitos Técnicos de Segurança para Talha Elétrica

Visão geral da norma: Esta norma estabelece os requisitos técnicos gerais para a operação segura de guindastes, abrangendo a configuração de dispositivos de segurança, a qualificação do operador, a inspeção diária e a inspeção periódica. Constitui um elemento central do sistema regulatório de segurança para guindastes no país/região em vigor.

A gestão da segurança de guindastes assenta no princípio da redundância — qualquer medida de segurança isolada pode falhar; só a sobreposição de múltiplas camadas de proteção de segurança permite reduzir a probabilidade de acidentes a um nível aceitável. Esta norma estrutura-se em torno de três níveis de proteção: dispositivos de segurança, procedimentos operacionais e sistema de inspeção.

Configuração de Dispositivos de Segurança

A norma exige que o guindaste esteja equipado, no mínimo, com: limitador de carga (alarme e corte da elevação em sobrecarga ≥100%), limitador de momento de carga (para guindastes de lança), limitador de altura de elevação (fim de curso de desaceleração e fim de curso com redundância dupla), fim de curso de descida (para evitar o enrolamento inverso do cabo de aço) e dispositivo de parada de emergência (botão tipo cogumelo vermelho ≥40mm, com bloqueio automático e rearme por rotação, pelo menos um por posto de operação). A falha de qualquer função de um dispositivo de segurança exige paragem imediata para reparação — não é permitido operar com equipamento defeituoso.

Procedimentos Operacionais

Os operadores devem receber formação específica e ser aprovados em avaliação. Antes da operação, realiza-se a Inspeção Pré-Turno — teste funcional de cada dispositivo de segurança, inspeção visual do cabo de aço, verificação da abertura do gancho e ausência de obstáculos no trilho. Durante a operação, aplicam-se as Dez Regras de Proibição de Içamento: não içar em sobrecarga, não içar com sinalização pouco clara, não içar carga mal amarrada, não içar com pessoas sobre a carga, não içar com dispositivo de segurança inoperante, não içar objetos enterrados, não içar com puxamento oblíquo, não içar objetos com arestas vivas sem proteção, não içar com iluminação insuficiente, não içar com vento superior a grau 6.

Sistema de Inspeção

O sistema de inspeção é estruturado em três níveis: diariamente — o operador realiza inspeção visual e funcional, registando no registro de operação. Mensalmente — o técnico de manutenção verifica o aperto dos parafusos, efetua teste de isolamento e calibração dos fins de curso, registando no arquivo de manutenção. Anualmente — um inspetor certificado realiza teste de carga estática a 125%, teste de carga dinâmica a 110%, amostragem de ensaios não destrutivos (END) nos cordões de solda críticos e verificação funcional completa de todos os dispositivos, emitindo o relatório de inspeção formal.

PeríodoExecutorConteúdoRegistro
DiárioOperadorInspeção Visual/Funcionalidade/Ruído anormalregistro de operação
MensalManutenção TrabalhoTorque/isolamento/Fim de Cursoarquivo de manutenção
AnualInspeção OperadorCarga Ensaio+ENDrelatório de inspeção

Perguntas Frequentes

P: O limitador de sobrecarga com desvio excessivo ainda pode ser utilizado?

R: Não. O desvio de atuação deve estar dentro de ±5%. A calibração é feita com pesos de teste ou sensor de força, aplicando cargas sucessivas de 50%/75%/100%/110% da carga nominal e registando a curva de resposta. Verificação prática diária: gancho vazio ≈ 0; com um bloco de teste de peso conhecido no ponto de 50% da carga, um desvio ≤ ±5% indica funcionamento normal.

P: Um guindaste pode operar com falhas?

R: A falha de qualquer dispositivo de segurança exige paragem imediata. Falhas em componentes não críticos (iluminação, vidros, pintura) podem ser corrigidas de forma programada. Critérios de avaliação: risco para a segurança de pessoas — paragem imediata; afeta o desempenho sem comprometer a segurança — continuar e agendar reparação; questões estéticas — agendar sem urgência. O operador tem autoridade para parar o equipamento — se a dúvida for "qual o pior cenário se errar?" e envolver risco de ferimentos ou morte, pare.

P: O que é mais importante: registos ou inspeções?

R: Ambos são importantes, mas com finalidades distintas. A inspeção é o meio — só uma inspeção rigorosa gera registos fiáveis. O registo é a prova legal — uma inspeção sem registo é, juridicamente, como se não tivesse sido realizada. Um registo adequado deve incluir: problemas identificados, grau de severidade, medidas adotadas (imediata/programada/observação) e verificação da eficácia. Registos sucessivos de "nenhuma anomalia" quando o equipamento apresenta problemas evidentes indicam inspeções meramente formais.

P: Como aplicar as normas de segurança a um guindaste não padronizado?

R: Utiliza-se a metodologia de análise de riscos da ISO 12100. O projetista identifica todos os perigos previsíveis (mecânicos, elétricos, térmicos, ruído, radiação, materiais, ergonomia), classifica o grau de risco (severidade × probabilidade) e implementa medidas para reduzi-lo a um nível aceitável. Todo o processo deve ser documentado — este dossiê técnico é o documento central para a revisão de segurança legal do guindaste não padronizado.

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