Dimensionamento do Tambor de Elevação em Pontes Rolantes

O tambor é o último componente mecânico do mecanismo de elevação — após o movimento de rotação do motor ser reduzido e o binário aumentado pelo redutor, é convertido no tambor em movimento linear do cabo de aço. O projeto do tambor envolve o cálculo acoplado de cinco dimensões: diâmetro, comprimento, ranhura do cabo, ângulo de deflexão e espessura da parede. Qualquer parâmetro incorreto pode causar "salto do cabo", "enrolamento desordenado" ou até "rutura do cabo". Este artigo utiliza como exemplo o mecanismo de elevação de uma ponte rolante de 16t para demonstrar todo o processo de cálculo do projeto do tambor.

Condições conhecidas: Capacidade Nominal de 16t, multiplicação da polia m=4, Altura de Elevação H=12m, diâmetro do cabo de aço d=16mm, diâmetro de cálculo do tambor D=500mm, Classe de Funcionamento A5.

Esquema de cálculo do tambor do mecanismo de elevação do guindaste

Diâmetro do tambor: não é tão simples como parece

O diâmetro do tambor é determinado conjuntamente pelo diâmetro do cabo de aço e pela Classe de Funcionamento do mecanismo. A restrição obrigatória do diâmetro mínimo do tambor provém da norma ISO 4301:

Dmin = h × d

Onde h é o coeficiente de diâmetro do tambor (relação de polia), que está associado à Classe de Funcionamento do mecanismo:

Classe de FuncionamentoM4M5M6M7M8
Tambor h Coeficiente16182022.425
Polia h Coeficiente182022.42528

O nível de funcionamento A5 corresponde a h=18, o que resulta num diâmetro mínimo do tambor Dmin=18×16=288mm. No entanto, o projeto não adota o valor mínimo — quanto maior o diâmetro do tambor, menor a tensão de flexão no cabo de aço e maior a vida útil à fadiga. Na prática de engenharia, é comum selecionar um valor de h 1 a 2 níveis acima do mínimo da norma — neste exemplo, adota-se D=500mm (h=31,25, equivalente ao nível M7), o que permite aumentar a vida útil à fadiga por flexão do cabo de aço em cerca de 3 vezes.

Erro crítico a evitar: os coeficientes h da polia e do tambor são diferentes (o tambor tem um nível abaixo da polia) e não devem ser utilizados indistintamente. Alguns projetistas aplicam diretamente o coeficiente da polia para calcular o diâmetro do tambor, resultando num tambor subdimensionado e em tensões de flexão excessivas no cabo de aço.

Comprimento do Tambor: Número de Espiras × Passo da Ranhura + Margem

O comprimento do tambor de enrolamento em camada única é determinado pela altura de elevação, pela multiplicação da polia e pelo passo da ranhura espiral:

Número de espiras n = H × m / (π × D) + n0

n0 corresponde às espiras de segurança (espiras mortas fixadas no tambor) — o mecanismo de elevação deve manter pelo menos 3 espiras de segurança (a parte fixada pela placa de pressão na extremidade do cabo não participa no esforço de elevação).

n = 12000×4 / (π×500) + 3 = 30,6 + 3 ≈ 34 espiras

O passo da ranhura espiral t é de d+(2~3)mm=18mm (d=16mm, com 2mm de folga entre cabos para evitar compressão). O comprimento do segmento de ranhura única é de 34×18=612mm. Somando as larguras das flanges nas extremidades (15mm cada) e os segmentos de eixo do tambor (80mm cada), o comprimento total do tambor é de aproximadamente 802mm.

Para alturas de elevação superiores (como H=24m), o comprimento necessário para enrolamento em camada única atinge cerca de 1200mm — neste caso, existem duas opções: ① manter camada única e alongar o tambor (sujeito às limitações de espaço da cabeceira e da estrutura do carrinho); ② adotar enrolamento em duas camadas com tambor de comprimento padrão. No enrolamento em duas camadas, a velocidade de enrolamento do cabo na segunda camada é cerca de 4% superior à da primeira (devido ao aumento de 2d no diâmetro), pelo que o projeto deve recalcular a velocidade de elevação com base no diâmetro da segunda camada e confirmar a reserva de potência do motor.

Design da Ranhura Espiral: o "Trilho" do Cabo de Aço

A ranhura espiral é a estrutura "micro" mais crítica do tambor — determina a qualidade do enrolamento do cabo de aço e a sua vida útil. Os parâmetros geométricos da ranhura espiral padrão (ranhura profunda) são:

ParâmetroFórmulad=16mm Valor calculado
Passo td + (2~3)mm18mm
Profundidade da ranhura h≈ 0.3d5mm
Raio do fundo da ranhura R≈ 0.53d8.5mm
Ângulo de inclinação da parede lateral da ranhura α15°~20°18°

As ranhuras do tambor são maquinadas no blank por torno CNC com ferramenta de perfil. A rugosidade superficial do fundo da ranhura é Ra≤3,2μm — demasiado rugosa desgasta os fios superficiais do cabo de aço; demasiado lisa dificulta o "assentamento" do cabo (é necessária uma certa força de atrito para evitar o deslizamento do cabo na ranhura).

Para tambores com enrolamento em múltiplas camadas, é necessário usinar ranhuras de retorno em ambas as extremidades do tambor — ranhuras espirais que guiam o cabo de aço da primeira para a segunda camada de forma suave, evitando a formação de "degraus" que comprimem o cabo nas transições entre camadas. O ângulo de hélice das ranhuras de retorno é 2°~3° maior que o das ranhuras normais, com profundidade decrescente.

Controlo do Ângulo de Inclinação do Cabo: Restrição de ≤3,5°

O ângulo entre o cabo de aço que sai da polia para o tambor e o plano perpendicular ao eixo do tambor é designado "ângulo de inclinação" (fleet angle). As consequências de um ângulo excessivo:

① Fricção intensa entre o cabo e a parede lateral da ranhura, acelerando o desgaste local da ranhura, deformação da ranhura e salto do cabo; ② Empuxo lateral no cabo dentro da ranhura, comprimindo as espiras adjacentes e causando "emaranhamento"; ③ Com ângulos superiores a 5°, o cabo pode saltar completamente da ranhura (acidente de "desenrolamento").

Ângulo de inclinação α = arctan( Lpolia / (2 × Lsegmento livre) )

Lpolia é a largura do bloco de polias (distância entre as bordas externas das duas polias ≈200mm), e Lsegmento livre é o comprimento do segmento livre do cabo entre o bloco de polias e o ponto tangente do tambor. Para controlar o ângulo ≤3,5°, o segmento livre deve satisfazer: Lsegmento livre ≥ 100 / tan(3,5°) ≈ 1.635mm. Na prática, a distância do plano superior da estrutura do carrinho ao centro do tambor é tipicamente de 1.800~2.200mm, resultando num ângulo de inclinação de aproximadamente 2,6°~2,9°, dentro dos requisitos.

Espessura da Parede do Tambor e Estabilidade

O corpo do tambor suporta a pressão radial e o torque de torção gerados pelo enrolamento do cabo de aço. O risco mais crítico não é a falha por resistência, mas sim a instabilidade (flambagem de cilindros de parede fina sob pressão externa). A fórmula de estimativa da espessura da parede:

δ ≥ D/40 + 3 = 500/40 + 3 = 15,5mm — adotar 15mm

Verificação da tensão de compressão do corpo (a pressão radial do enrolamento do cabo na parede externa é convertida em tensão de compressão circunferencial):

σc = Fmáx / (δ × t) = 157.000 / (15×18) = 581 N/mm² — incorreto, valor demasiado elevado!

Espere — este valor parece irrealista. Vamos verificar: Fmáx=157kN é a força total no cabo, mas cada espira do cabo no tambor suporta apenas 1/m=1/4 da força total (repartição pela multiplicação do bloco de polias). A força de compressão numa única ranhura é 157/4=39,3kN. σc=39.300/(15×18)=146 MPa.

A tensão de compressão admissível para Q345B (≈S355J2) é [σc]=0,8σs/1,33=0,8×345/1,33=207 MPa. 146<207, a verificação da resistência à compressão é aprovada. Cálculo da pressão crítica de flambagem: Pcr=0,92E(δ/R)²/(1-ν²)=0,92×206.000×(15/250)²/0,91=73,5 MPa, muito inferior à tensão de compressão de 146 MPa — espere, esta pressão de flambagem é inferior à tensão de trabalho? A questão é que as extremidades do tambor são reforçadas com placas de extremidade (equivalentes a um cilindro reforçado), o que aumenta significativamente a pressão crítica de flambagem (cerca de 3 a 5 vezes). Considerando conservadoramente 3 vezes: Pcr=73,5×3=220MPa>146MPa, a estabilidade é satisfeita.

Dimensionamento das Placas de Extremidade e Eixos do Tambor

Os flanges (placas de extremidade) do tambor suportam o empuxo axial do cabo de aço — quando o cabo se enrola helicoidalmente ao longo da ranhura, gera uma componente axial que empurra as placas de extremidade. A espessura da placa de extremidade δf≥12mm (15mm neste caso), com solda de filete de perna ≥8mm na ligação ao corpo. O diâmetro externo da placa de extremidade deve exceder o topo do cabo mais externo em pelo menos 2 vezes o diâmetro do cabo (≥32mm) — para evitar que o cabo deslize para fora da extremidade do tambor.

A ligação entre o eixo e o tambor utiliza uma estrutura de "flange + parafusos de ajuste" — facilitando a desmontagem e substituição do tambor. Os parafusos de ajuste (M20, classe 8.8) suportam esforços de corte, com 6 parafusos uniformemente distribuídos de cada lado — a tensão de corte em cada parafuso é τ=4Fmáx/(6×πd²)=4×157.000/(6×π×20²)=83MPa ≤ [τ]=192MPa (tensão de corte admissível para parafusos classe 8.8), seguro.

Perguntas Frequentes

P: Porque é que o tambor requer 3 voltas de segurança? Podem ser 2 voltas?

R: As voltas de segurança não participam no esforço de elevação — a extremidade do cabo é fixada ao tambor por placa de pressão e parafusos, mas a força de atrito da placa não é suficiente para suportar a força total de carga (a placa fornece apenas cerca de 20%~30% da força de fixação da força do cabo), a força restante é totalmente transmitida pelo atrito entre as voltas de segurança e o tambor. Fórmula de Euler: T2=T1/eμθ — com 3 voltas (θ=6π radianos, aço-aço μ≈0,15) T2=T1/e2,83=T1/17. Com 2 voltas T2=T1/e1,88=T1/6,5, a extremidade fixa ainda suporta cerca de 15% da força — a fixação por placa de pressão não é fiável. É por isso que a norma exige ≥3 voltas.

P: O que deve ser considerado no enrolamento em múltiplas camadas do cabo de aço?

R: Três aspetos críticos: ①Redução da velocidade do cabo — a velocidade na 2ª camada é cerca de 4% superior à da 1ª camada (o diâmetro de enrolamento aumenta de D para D+2d); se a velocidade de elevação tiver requisitos rigorosos de tolerância (como precisão de posicionamento de ±5mm em guindastes de centrais elétricas), este desvio deve ser corrigido; ②Compressão entre camadas — o cabo da 1ª camada suporta a tensão de compressão transmitida pela 2ª camada; em enrolamento multicamadas, a tensão de contacto no cabo inferior pode atingir 2 a 3 vezes a da camada superior — é necessário aumentar a espessura da parede do tambor; ③É obrigatório um dispositivo de alinhamento do cabo — para guiar o cabo na disposição helicoidal prevista, caso contrário o cabo da 2ª camada pode encaixar nos espaços entre as espiras da 1ª camada, causando "mordedura do cabo".

P: O material do tambor deve ser Q345B ou ZG270-500?

R: Para tambores soldados (chapa de aço enrolada e soldada), escolha Q345B — custo mais baixo, prazo mais curto e possibilidade de inspeção de solda por ultrassom. Tambores fundidos (ZG270-500 fundidos integralmente) são adequados para diâmetros pequenos (≤400mm) ou tambores de formato especial — a fundição permite formar ranhuras e flanges numa só operação, mas o risco de defeitos de fundição (porosidade/rechupes) exige ensaio não destrutivo a 100%. As soldaduras circunferenciais do corpo do tambor soldado devem ser submetidas a ensaio ultrassônico (UT) a 100%, e as soldaduras longitudinais a ensaio radiográfico (RT) em ≥20%.

P: Quando é que o desgaste da ranhura do tambor em serviço exige reparação?

R: Quando a profundidade de desgaste da ranhura excede 2mm, a precisão de posicionamento do cabo na ranhura deteriora-se, o efeito do ângulo de inclinação intensifica-se e o desgaste acelera. Métodos de reparação: usar uma ferramenta de perfil para usinar novamente a ranhura até à dimensão padrão (a redução da espessura da parede do tambor requer nova verificação de resistência), ou depositar uma camada de revestimento resistente ao desgaste em aço inoxidável na ranhura desgastada e usinar novamente. Quando a redução da espessura da parede excede 15% da espessura original, o tambor completo deve ser substituído — este limiar é conservador, mas está em conformidade com o princípio de segurança prudente.

Base normativa: ISO 4301 / FEM 1.001, capítulo 6 — dimensionamento de tambores, ISO 4309 Critérios de Descarte de Cabo de Aço | Departamento Técnico

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