Cabo de aço de ponte rolante: quando é obrigatório o sucateamento?

📋 Resumo principal

O cabo de aço é a linha vital do guindaste — todo o peso da carga suspensa depende dele. Sendo um componente consumível, chega a um ponto em que deve ser sucateado: número excessivo de fios rompidos, redução de diâmetro, corrosão acentuada ou deformação tornam o cabo impróprio para uso. Este artigo explica os critérios de descarte do cabo de aço, como inspecioná-lo e quando é obrigatório substituí-lo, garantindo a primeira linha de segurança nas operações de içamento.

📌 Em uma frase

Ruptura de fio, redução de diâmetro, corrosão e deformação: se qualquer um destes quatro tipos de dano ultrapassar o limite, o cabo deve ser sucateado.

O descarte do cabo de aço não é uma questão de "achar que ainda serve" — é uma questão de cumprir a norma.

No guindaste, o componente que não pode falhar é o cabo de aço. Quanto pesa a carga suspensa, tanto ele suporta; se romper, a carga cai. Por isso, o sucateamento do cabo de aço é a linha vermelha mais rigorosa na segurança do içamento.

Mas o cabo de aço não rompe de repente — ele se desgasta e perde fios gradualmente. O essencial é substituí-lo de acordo com a norma, antes que deixe de suportar a carga. A seguir, explicamos quando o cabo de aço deve ser obrigatoriamente sucateado.

Critérios de descarte do cabo de aço: quatro tipos de dano conforme a norma

O descarte do cabo de aço considera quatro tipos de dano, e a norma ISO 4309 — Cabos de aço para guindastes — Manutenção, inspeção e descarte estabelece os critérios de avaliação.

Ruptura de fio: ocorre quando um ou mais arames da superfície do cabo se partem. Quando o número de fios rompidos dentro de um passo de torção atinge o valor característico, o cabo deve ser sucateado.

Redução de diâmetro: o diâmetro do cabo diminui. Quando a redução atinge o valor característico, isso indica desgaste interno severo — o cabo deve ser sucateado.

Corrosão: o cabo apresenta oxidação ou corrosão na superfície. Quando a corrosão atinge determinado grau, a resistência do cabo diminui — deve ser sucateado.

Deformação: o cabo apresenta distorção em gaiola, torção, achatamento ou outras deformações permanentes. Deformação é sinal de sucateamento imediato.

Se qualquer um dos quatro tipos de dano atingir o critério de descarte, o cabo de aço não pode mais ser utilizado. Esta é uma exigência rigorosa, sem margem para ambiguidade. A Kelude adota os quatro tipos de dano como base de julgamento para o sucateamento do cabo de aço.

Cabo de aço - critérios de descarte - diagrama de seis elementos

Como verificar a ruptura de fios: contagem dentro de um passo de torção

A ruptura de fios é o item que exige inspeção de rotina mais frequente no cabo de aço.

O método consiste em contar o número de fios rompidos dentro do comprimento de um passo de torção. O passo de torção é a distância que o cabo leva para dar uma volta completa; o número de fios rompidos nesse comprimento é o número de rupturas.

Quando o número de fios rompidos atinge o valor característico, o cabo deve ser sucateado. Cabos com estruturas e aplicações diferentes têm limites de ruptura distintos — é necessário consultar a norma para comparação.

A ruptura de fios é um processo progressivo, por isso o cabo de aço deve ser submetido a inspeção periódica. O regulamento TSG 51-2023 — Regulamento Técnico de Segurança de Equipamentos Especiais estabelece requisitos obrigatórios para a inspeção de cabos de aço. A Kelude integra a verificação de ruptura de fios à inspeção de rotina: se o número de fios rompidos num passo de torção exceder o limite, o cabo é substituído.

Como verificar diâmetro e corrosão: paquímetro e inspeção visual

Além da ruptura de fios, a redução de diâmetro e a corrosão também devem ser verificadas.

Redução de diâmetro: mede-se o diâmetro do cabo com paquímetro. Quando o diâmetro se reduz ao valor característico em relação ao diâmetro original, isso indica desgaste dos arames internos e esmagamento da alma do cabo — o cabo deve ser sucateado. A medição do diâmetro deve ser feita em vários pontos, considerando o valor mais crítico.

Corrosão: a inspeção é visual e requer julgamento. Oxidação superficial, picagens e cavidades indicam corrosão. Quando a corrosão atinge determinado grau, a seção eficaz dos arames diminui e a resistência cai — o cabo deve ser sucateado. Cabos com corrosão severa devem ser descartados mesmo que o número de fios rompidos seja baixo.

Diâmetro e corrosão são os outros dois critérios de descarte além da ruptura de fios. Os três itens devem ser verificados em conjunto para não haver falhas na avaliação.

Por que a deformação exige descarte imediato: a estrutura interna já está comprometida

A deformação é o critério mais rigoroso no sucateamento do cabo de aço.

Distorção em gaiola, extrusão de cordoalha, torção, achatamento e dobramento — quando qualquer uma dessas deformações permanentes aparece, a estrutura interna do cabo já está danificada e a resistência cai drasticamente. O descarte é imediato, sem margem para "observação".

A deformação não é um processo gradual como a ruptura de fios; geralmente resulta de solicitações externas súbitas — sobrecarga, impacto ou aprisionamento. Quando a deformação aparece, o cabo sofreu dano interno e deve ser substituído imediatamente.

Portanto, ao inspecionar o cabo de aço, qualquer deformação visível implica sucateamento — é o critério mais direto.

Erros mais comuns no descarte do cabo de aço

Primeiro erro: verificar apenas a ruptura de fios e ignorar os demais critérios. Substituir o cabo somente quando a ruptura atinge o limite, sem verificar redução de diâmetro, corrosão e deformação — que também são critérios de descarte — deixa falhas na inspeção e cria riscos.

Segundo erro: contagem incorreta de fios rompidos. Se o passo de torção não for identificado corretamente ou os fios rompidos não forem contados na totalidade, o cabo que deveria ser substituído continua em uso. A contagem deve seguir o método da norma.

Terceiro erro: subestimar corrosão e deformação. Considerar que um cabo com corrosão severa ou deformação "ainda pode ser usado" e continuar içando é arriscar a segurança. A Kelude mantém o princípio de substituir o cabo quando qualquer um dos quatro tipos de dano ultrapassa o limite, sem deixar que o julgamento de "ainda serve" se sobreponha à norma.

Comparação dos critérios de descarte do cabo de aço

← Deslize a tabela para vê-la completa →
Tipo de dano métodos de inspeção sucateamentoCritério
ruptura de fioUmpasso de torçãoNúmeroruptura de fioNúmero de fios rompidosEm conformidade
Redução de diâmetroMedição de diâmetro com paquímetroRedução de diâmetro dentro do limite
CorrosãoInspeção visualCorrosãoAtéNorma
DeformaçãoInspeção visualImediatamente quando ocorrersucateamento

Referência rápida de cláusulas normativas para o sucateamento de cabos de aço

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Norma Pontos principais da cláusula esucateamentoRelação com
ISO 4309manutençãoInspeçãosucateamentocritérios de rejeição
regulamento TSG 51 — Regulamento Técnico de Segurança de Equipamentos Especiais-2023regulamentos técnicos de segurançainspeçãorequisito obrigatório
norma FEM 1.001especificação de projeto de ponte rolantefator de segurança do cabo de aço

Perguntas Frequentes sobre o Sucateamento de Cabos de Aço

P: Quantos fios rompidos num cabo de aço justificam o sucateamento?

R: O número de fios rompidos é contabilizado num passo de torção e comparado com os critérios de descarte da ISO 4309. O valor limite varia consoante a estrutura do cabo e a sua aplicação. O essencial é contar os fios rompidos dentro de um passo de torção; ao atingir o valor característico, o cabo deve ser sucateado — não se deve adiar a decisão. A contagem exata deve ser verificada na norma, não por estimativa.

P: Com que frequência os cabos de aço devem ser inspecionados?

R: A inspeção de rotina deve ser complementada por uma Inspeção Periódica. A inspeção de rotina é uma verificação visual simples antes de cada utilização, para detetar ruturas de fio ou deformações evidentes. A Inspeção Periódica é uma avaliação detalhada, realizada em intervalos definidos, que abrange o número de fios rompidos, o diâmetro e a corrosão. Em condições de operação severas ou com utilização intensiva, a frequência de inspeção deve ser aumentada. O dano no cabo de aço é progressivo; a Inspeção Periódica permite detetar a degradação antes de atingir o ponto de sucateamento.

P: Um cabo de aço deformado pode continuar a ser utilizado?

R: Não. Deformações permanentes como distorção em gaiola, extrusão de cordoalha, torção, achatamento ou dobra indicam que a estrutura interna do cabo está comprometida, resultando numa descida acentuada da resistência. A presença de qualquer uma destas deformações implica o sucateamento imediato. Ao contrário da rutura de fios, que é um processo gradual, a deformação resulta de danos súbitos por impacto ou esforço excessivo. A deteção de deformação exige a substituição imediata do cabo, sem exceção.

O estado do cabo de aço pode ser monitorizado com recurso a sistemas de deteção. Pode consultar a abordagem descrita no artigo "Sistema de inspeção on-line por visão IA para cabos de aço de ponte rolante: 20 clientes e precisão de reconhecimento de 97,3% na deteção de ruptura de fios".

Os limites de sucateamento dos cabos de aço são definidos por normas. A Kelude classifica os danos em quatro categorias — ruptura de fios, redução de diâmetro, corrosão e deformação — e procede à substituição quando qualquer um dos critérios é excedido, garantindo que a primeira linha de segurança nas operações de içamento permanece sempre vigilante.

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