Critérios de rejeição do gancho conforme GB/T 10051

A norma GB/T 10051.1-2010 — Ganchos de elevação, Parte 1 — define cinco indicadores quantificáveis para a rejeição de ganchos: aumento da abertura ≤10%, ângulo de torção ≤10°, desgaste da secção ≤10%, profundidade de corrosão ≤5% da dimensão original e rejeição imediata em caso de deteção de trincas. Estes são os limites legais que garantem a segurança na utilização de ganchos de guindaste.

O gancho é um dos componentes estruturais mais críticos do guindaste, e o seu estado de segurança está diretamente relacionado com a segurança das pessoas e dos equipamentos durante as operações de elevação. A norma GB/T 10051.1-2010 — Ganchos de elevação, Parte 1 e o TSG 51-2023 — Regulamento Técnico de Segurança de Equipamentos Especiais constituem em conjunto o quadro regulamentar para a rejeição de ganchos, definindo cinco indicadores quantitativos essenciais que fornecem uma base técnica clara para a inspeção diária e a inspeção periódica realizadas pelas unidades utilizadoras.

O dimensionamento e os cálculos desta proposta seguem os requisitos fundamentais da norma GB/T 3811-2008 — Regras para o projeto de guindastes e do TSG 51-2023 — Regulamento Técnico de Segurança de Equipamentos Especiais, tendo em conta as condições reais de serviço do gancho para uma inspeção e avaliação direcionadas.

Cinco critérios quantitativos de rejeição para ganchos de guindaste


Base regulamentar e sistema normativo para rejeição de ganchos

A decisão de rejeitar um gancho de guindaste não se baseia em avaliações empíricas, mas sim num sistema completo que abrange desde regulamentos nacionais até normas setoriais. O TSG 51-2023 — Regulamento Técnico de Segurança de Equipamentos Especiais, enquanto norma técnica de segurança para equipamentos especiais, exige explicitamente que as unidades utilizadoras estabeleçam procedimentos de inspeção diária e inspeção periódica dos ganchos. A norma GB/T 6067.1-2010 — Regras de segurança para equipamentos de elevação, Parte 1: Requisitos gerais determina ainda que, em caso de trincas, desgaste excessivo ou deformação da abertura, o gancho deve ser imediatamente retirado de serviço e rejeitado.

No plano das normas técnicas, a série GB/T 10051.1-2010 — Ganchos de elevação, Parte 1, até à GB/T 10051.5-2010 — Ganchos de elevação, Parte 5: Ganchos laminados, abrange os requisitos de desempenho mecânico e as condições de rejeição para todos os tipos de ganchos, incluindo ganchos forjados, ganchos laminados e porcas de gancho. A nível internacional, a norma GB/T 18444-2016 — Ganchos para guindastes está igualmente alinhada com o sistema de normas ISO. Para ganchos de pequenas dimensões utilizados em talhas elétricas, devem também ser considerados os requisitos técnicos da norma JB/T 10224-2007 — Ganchos para talhas elétricas.

Na prática, os critérios de rejeição de ganchos e a norma GB/T 5972-2016 — Cabos de aço para guindastes — Manutenção, inspeção e rejeição formam o sistema de avaliação de rejeição para os dois principais componentes de elevação do guindaste. Ambos devem ser verificados em conjunto durante a mesma inspeção, garantindo a segurança global do sistema de içamento.


Indicadores de rejeição: cinco critérios quantificáveis

O capítulo 6 da norma GB/T 10051.1-2010 — Ganchos de elevação, Parte 1, define claramente cinco critérios de rejeição, cada um com limites numéricos mensuráveis. Estes cinco indicadores dividem-se em alterações geométricas (abertura, ângulo de torção e desgaste da secção), degradação do material (corrosão) e defeitos (trincas), constituindo um sistema completo de avaliação que abrange desde alterações graduais até falhas críticas.

Entre os cinco indicadores, as trincas constituem o critério mais rigoroso, com efeito de veto imediato — independentemente do comprimento, profundidade ou localização, se a presença de trincas for confirmada por ensaio por partículas magnéticas ou ensaio por líquidos penetrantes, o gancho deve ser rejeitado de imediato, sendo estritamente proibida qualquer reparação por soldadura. Os restantes quatro indicadores são de natureza progressiva, sendo avaliados por medições periódicas e comparação com as dimensões originais para determinar se o limite de rejeição foi atingido. Todos os dados de medição devem ser registados no boletim de inspeção de ganchos de guindaste e arquivados como parte do processo técnico de segurança dos equipamentos especiais, durante um período mínimo de 3 anos.

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DeterminaçãoIndicadorLimite de descarteDetecçãoFerramentaDetecçãoPeríodoCláusula da norma
Incremento de abertura ΔS≤ 10% S₀paquímetro/Calibrador específicoTrimestralGB/T 10051.1 §6.2
Ângulo de torção≤ 10°UniversalÂnguloRéguaInspeção visual mensal/Medição trimestralGB/T 10051.1 §6.3
Seção transversalDesgasteIncremento de abertura≤ 10% d₀Micrômetro externo(0.01mm)SemestralGB/T 10051.1 §6.4
CorrosãoProfundidade≤ 5% Dimensão originalMicrômetro de profundidade/Medição de espessura por ultrassomSemestralGB/T 10051.1 §6.5
TrincaQualquerTrincaDescarte imediatoEnsaio por Partículas Magnéticas(MT)/Líquido penetrante(PT)AnualNDTGB/T 10051.1 §6.1

A Kelude Indústrias Pesadas constatou, na sua prática de assistência técnica, que mais de 60% dos casos de sucateamento de ganchos são desencadeados por dois indicadores geométricos: o incremento da abertura e o desgaste da secção crítica. Embora as trincas representem menos de 15% do total, são as mais monitorizadas pelos órgãos de inspeção devido ao seu elevado potencial de risco.


Inspeção Diária de Ganchos: Métodos e Ferramentas

A inspeção diária de ganchos estrutura-se em três níveis: a inspeção visual efetuada pelo operador em cada turno, a inspeção mensal com instrumentos de medição realizada pelo responsável de equipamentos e o ensaio não destrutivo anual executado por um órgão de inspeção externo. Cada nível exige ferramentas e precisões distintas, mas todos convergem para a mesma finalidade: constituir uma barreira técnica de segurança ao longo de todo o ciclo de vida do gancho.

A inspeção visual por turno é o nível mais básico e frequente. No momento da passagem de turno, o operador deve realizar uma inspeção visual ao gancho, verificando nomeadamente: a presença de trincas visíveis, deformações ou corrosão na superfície; o bom estado e funcionamento da trava de gancho; a rotação livre do gancho, sem qualquer travamento; e a ausência de folgas nas ligações roscadas. Qualquer anomalia deve ser imediatamente comunicada e o equipamento colocado fora de serviço até avaliação por um inspetor qualificado. A Kelude Indústrias Pesadas recomenda a implementação de um cartão de inspeção do gancho, onde os resultados de cada turno são confirmados pela assinatura conjunta do operador e do chefe de turno, garantindo uma cadeia de inspeção totalmente rastreável.

Precisão do paquímetro
0.02mm
Medição da abertura (valor S)
Precisão do micrómetro
0.01mm
Medição do desgaste na secção crítica
Sensibilidade do ensaio MT
A1-15/50
Capacidade de deteção de trincas superficiais
Precisão do goniômetro
2′
Medição do desvio do ângulo de torção
Precisão do medidor de profundidade
0.02mm
Medição da profundidade de pites de corrosão
Precisão do medidor de espessura ultrassónico
0.1mm
Avaliação auxiliar de defeitos internos

Tipos de Danos em Ganchos e Medidas Corretivas

Durante a operação, os ganchos estão sujeitos a diversos tipos de danos, cada um com causas, níveis de gravidade e medidas de intervenção distintos. Compreender os mecanismos de formação de cada dano é essencial para que as empresas utilizadoras possam otimizar os procedimentos de içamento na origem e prolongar a vida útil dos ganchos.

O desgaste superficial é o tipo de dano mais comum, resultante sobretudo do atrito prolongado entre o equipamento de amarração e a face interna do gancho. Quando o desgaste atinge 10% do diâmetro original, a capacidade de carga da secção crítica do gancho fica significativamente comprometida, sendo obrigatório o seu sucateamento. Para reduzir a taxa de desgaste, recomenda-se a utilização de equipamento de amarração com buchas de proteção e a realização periódica da manutenção de lubrificação na face interna do gancho, evitando, no entanto, que o lubrificante contamine as superfícies roscadas.

Danos por corrosão — frequentes em ambientes corrosivos, como indústrias químicas, galvanizações e portos marítimos. A corrosão uniforme é avaliada pela profundidade (≤5%); já a corrosão por pites exige atenção redobrada — mesmo que a profundidade média não exceda o limite, um único pite com profundidade superior a 5% da dimensão original implica o sucateamento. Para ganchos utilizados em ambientes exteriores ou húmidos e que permaneçam parados por mais de 3 meses, é obrigatória a realização de uma inspeção completa antes de serem novamente colocados em serviço.

Deformação por sobrecarga — manifesta-se pelo aumento da abertura do gancho ou por empeno/torção, geralmente causados por sobrecarga ou içamento oblíquo. Este tipo de dano corresponde a uma deformação plástica irreversível: mesmo que a deformação não atinja temporariamente o limite de sucateamento de 10%, indica que o gancho foi sujeito a tensões superiores às de projeto. Nesse caso, o gancho deve ser imediatamente reclassificado para uso condicionado, com inspeções mais frequentes, e deve ser investigada a causa da sobrecarga.

Trincas por fadiga — originam-se, na sua maioria, nas zonas de concentração de tensões na face interna do gancho e propagam-se sob cargas cíclicas. Nos ganchos forjados, as trincas desenvolvem-se geralmente na direção radial da secção; nos ganchos laminados, podem surgir em redor dos furos de rebitagem. O ensaio por partículas magnéticas (MT) é o método mais fiável para detetar trincas superficiais e subsuperficiais, devendo ser executado em cada inspeção anual. O ensaio por líquidos penetrantes (PT) pode ser utilizado como método complementar para ganchos de materiais não ferromagnéticos.


Procedimento de Substituição de Ganchos e Gestão de Registos

Quando um gancho atinge qualquer um dos critérios de sucateamento, deve ser iniciado de imediato o procedimento de substituição. A operação deve ser executada por pessoal de manutenção qualificado, seguindo os procedimentos de segurança estabelecidos. Antes da substituição, é necessário confirmar que o novo gancho corresponde ao modelo, à classe de capacidade de elevação e ao material do projeto original, e que está acompanhado do Certificado de Fábrica e do Certificado de Material.

O procedimento de substituição inclui: baixar o gancho até uma posição segura no solo, cortar a alimentação elétrica e aplicar o bloqueio/sinalização (LOTO); desmontar a trava de gancho e as porcas do gancho antigo com ferramentas adequadas; verificar o estado de desgaste da viga do gancho e do rolamento axial (se o desgaste do rolamento exceder os limites, este deve ser substituído em simultâneo); instalar o novo gancho e apertar as porcas com o torque especificado; instalar a trava de gancho e verificar a sua abertura e fecho; por fim, realizar um içamento de teste em vazio e à carga nominal para confirmar o funcionamento correto.

Todos os registos de inspeção e substituição devem ser integrados no arquivo técnico de segurança dos equipamentos especiais. Os registos devem incluir: o Número de Série e o modelo do gancho; a data de cada inspeção e os dados de medição (valor S, valor d, ângulo, profundidade de corrosão); a assinatura do inspetor; a data de substituição e os dados do novo gancho; e o número e resultado do Relatório de END. O arquivo deve ser conservado por um período mínimo de 3 anos após o sucateamento do gancho.

A Kelude Indústrias Pesadas oferece aos utilizadores de guindastes um serviço de gestão do ciclo de vida completo para ganchos, incluindo inspeções periódicas no local, ensaio não destrutivo, análise de tendências de desgaste, fornecimento de peças de reposição e serviços de substituição, contribuindo para uma gestão sistemática e normalizada da segurança dos ganchos. Para guindastes de fundição e ponte rolante de lingotamento, sujeitos a alta frequência de utilização e condições de serviço severas, recomenda-se reduzir o intervalo de inspeção para metade do período convencional.


Leitura recomendada: Normas de instalação e número de grampos para cabos de aço de guindastes · Como ajustar a folga do freio de talha elétrica · Diferenças essenciais entre o freio de segurança e o freio de serviço em guindastes

Perguntas Frequentes

P: Qual é o limite de aumento da abertura do gancho para a sua rejeição, conforme a norma GB/T 10051.1-2010?

R: A norma estabelece que o aumento da abertura do gancho não pode exceder 10% da dimensão original, ou seja, ΔS=(S-S₀)/S₀≤10%. A medição deve ser realizada com um paquímetro de precisão 0,02mm, na distância máxima entre a ponta e a haste do gancho, comparando o valor medido (S) com o valor original de fábrica (S₀). Quando o aumento da abertura atinge 10%, o gancho sofreu deformação plástica significativa, com perda substancial de capacidade de carga, e deve ser rejeitado. Para ganchos de grande porte com capacidade de elevação superior a 50t, recomenda-se um alerta preventivo já aos 8% e a preparação de peças de reposição.

P: Após a detecção de trincas na superfície do gancho, é possível repará-lo por soldagem e continuar a utilizá-lo?

R: Absolutamente não. As normas GB/T 10051.1-2010 e TSG 51-2023 — Regulamento Técnico de Segurança de Equipamentos Especiais determinam que qualquer trinca no gancho, independentemente do comprimento, profundidade ou localização, exige a rejeição imediata do componente. É estritamente proibido qualquer tentativa de reparo por soldagem, retificação ou qualquer outro método. Os ganchos são fabricados em aço liga de médio carbono (como DG20Mn, 34CrMo4), e a zona afetada pelo calor da soldagem pode gerar microestruturas frágeis e tensões residuais, aumentando o risco de fratura. Inúmeros acidentes históricos com quedas e fatalidades, causados por ganchos reparados por soldagem, comprovam a necessidade desta regra absoluta.

P: Como determinar a periodicidade das inspeções do gancho? O ciclo varia conforme as condições de operação?

R: O regulamento TSG 51-2023 exige inspeção visual diária, medição mensal com instrumentos e, pelo menos, uma detecção anual de falhas por ensaio não destrutivo (NDT). Para condições severas de operação, como regime de trabalho pesado A6~A8, ambientes de alta temperatura em fundição ou operação anual superior a 4000 horas, recomenda-se reduzir a medição para quinzenal e a detecção NDT para semestral. Para ganchos em regime de trabalho leve ou médio A3~A5 em ambiente interno, com operação anual inferior a 1000 horas, o ciclo padrão pode ser mantido. Qualquer ajuste de periodicidade deve ser aprovado pelo departamento de gestão de equipamentos da unidade e incorporado ao plano de manutenção.

P: Quais são as diferenças nos critérios de rejeição entre o gancho forjado e o gancho laminado?

R: Os critérios de rejeição para os dois tipos de gancho são definidos respetivamente nas normas GB/T 10051.2 e GB/T 10051.3. Os cinco indicadores principais são essencialmente os mesmos, mas o gancho laminado possui requisitos adicionais: se uma lâmina individual apresentar trinca ou entalhe, essa lâmina deve ser substituída; se mais de metade das lâminas necessitar de substituição, o conjunto completo do gancho deve ser rejeitado; e se houver folga nas ligações rebitadas ou trincas nos rebites, o conjunto completo também deve ser rejeitado. O gancho forjado oferece vantagens como maior integridade estrutural e detecção de falhas NDT mais simplificada, enquanto o gancho laminado se destaca pela possibilidade de substituição de lâminas individuais e menor custo de manutenção.


Leitura complementar: GB/T 5972-2016 «Cabo de Aço de Guindaste — Manutenção, Inspeção e Rejeição» ·GB/T 10051.2-2010 «Ganchos de Elevação — Parte 2: Condições Técnicas para Ganchos Forjados» ·GB/T 18444-2016 «Ganchos para Guindastes»

Kelude Indústrias Pesadas oferece serviços de inspeção de ganchos ao longo de todo o ciclo de vida e fornecimento de peças de reposição, incluindo detecção de falhas NDT, análise de tendência de desgaste e substituição por modelo compatível. Linha direta de consulta: 400-086-9590

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