ISO 8686: Cargas e Combinações em Gruas de Torre

A norma ISO 8686-3:1998 (IDT) — correspondente à GB/T 22437.3-2009 «Guindastes — Cargas e combinações de cargas — Parte 3: Gruas de Torre» — é a norma fundamental de cargas para o projeto estrutural de gruas de torre. A norma especifica os vários tipos de cargas e as respetivas combinações que devem ser consideradas ao longo da vida útil de projeto da grua de torre. Devido à sua grande altura, centro de gravidade elevado e sensibilidade à carga de vento, a análise de cargas de uma grua de torre é consideravelmente mais complexa do que a de um guindaste de superfície.

A norma GB/T 22437.3-2009 é a Parte 3 da série de normas sobre cargas e combinações de cargas em guindastes, dedicada especificamente às características de carga e às condições de trabalho das gruas de torre, estabelecendo regras de cálculo para a classificação e combinação de cargas. Devido à estrutura alta e esbelta e às complexas condições de carga de vento, a combinação de cargas é particularmente crítica neste tipo de equipamento. Este artigo apresenta uma interpretação sistemática do conteúdo principal da norma.

GB/T 22437.3-2009 Cargas e combinações de cargas para gruas de torre


Posicionamento da norma e características de carga da grua de torre

A norma GB/T 22437.3-2009 define métodos de cálculo de cargas e regras de combinação especificamente adaptados à grua de torre, considerando o seu tipo estrutural único — mastro de torre esguio, centro de gravidade elevado, grande área exposta ao vento e estabilidade garantida por lastro e amarração. Em comparação com guindastes de superfície, a análise de cargas de uma grua de torre apresenta três características distintivas: primeiro, o efeito da carga de vento é significativamente maior do que noutros tipos de equipamento, podendo o momento de tombamento induzido pelo vento representar 30%~50% do momento de tombamento total; segundo, a condição de tempestade fora de serviço é a mais perigosa, sendo responsável por muitos acidentes; terceiro, no caso de guindaste de torre amarrado, é necessário considerar adicionalmente as forças de restrição transmitidas ao mastro pelas escororas de amarração e as tensões adicionais resultantes do recalque desigual da fundação ou da deformação das estruturas adjacentes.

Classificação de cargas em gruas de torre

A norma classifica as cargas numa grua de torre em três categorias: cargas principais, cargas adicionais e cargas especiais:

Cargas principais (P) — incluem o peso próprio (peso de todos os componentes fixos: mastro de torre, lança, braço de equilíbrio, cabeça de torre, mecanismo de giro, cabine do operador, equipamento elétrico, etc.), a carga de elevação (Capacidade Nominal + peso do spreader + peso da parte suspensa do cabo de aço), as cargas de inércia de giro (forças de inércia horizontais geradas pelas massas durante o arranque e a frenagem do mecanismo de giro) e as cargas vivas na lança e no braço de equilíbrio (por exemplo, carga de pessoal de manutenção considerada como carga uniformemente distribuída de 1,5 kN/m²).

Cargas adicionais (A) — a carga de vento é a carga adicional mais importante para gruas de torre. A norma exige o cálculo separado para a condição de trabalho e para a condição de tempestade. A carga de vento em estado de trabalho é calculada para velocidades de vento de 17~20 m/s, enquanto a condição de tempestade fora de serviço é calculada com base na velocidade máxima do vento para um período de retorno de 50 anos, tipicamente entre 25~40 m/s. Incluem-se também a carga de temperatura (a diferença de temperatura entre a face exposta ao sol e a face sombreada do mastro pode atingir 15~25 °C, causando deformação por flexão do mastro) e as cargas de neve e gelo.

Cargas especiais (S) — incluem cargas de instalação e desmontagem (cargas adicionais suportadas durante a escalada e adição de seções ou durante o rebaixamento), cargas de colisão (impacto da lança contra obstáculos ou gruas adjacentes), cargas de teste (1,25 vezes a carga nominal para o ensaio estático e 1,1 vezes para o ensaio dinâmico) e cargas devidas ao recalque desigual da fundação (momentos fletores adicionais resultantes de variações na rigidez do solo ou da deformação de estruturas adjacentes à fundação).

Velocidade do vento em serviço
≤20 m/s
abaixo do nível 7
Velocidade do vento em tempestade
25~40 m/s
período de retorno de 50 anos
Proporção da carga de vento
30%~50% do
momento de tombamento
Coeficiente dinâmico φ₂
1,0~1,6
conforme a Velocidade de Elevação
Coeficiente de freio de giro
1,2~1,5
amplificação da força de inércia
Recalque desigual da fundação
≤1/1000
inclinação do mastro

Método de cálculo da carga de vento

A norma estabelece regras detalhadas para o cálculo da carga de vento em gruas de torre: a carga de vento F_w = C_w · p · A, onde C_w é o coeficiente de força do vento (1,4~2,2 para estrutura treliçada do mastro, 1,2 para cabine fechada, 0,8~1,2 para lança tubular), p é a pressão do vento (em condição de trabalho, p_w = 250~400 N/m² correspondente a vento de nível 7~8; em condição de tempestade, p = 0,613v², com v em m/s), e A é a área exposta ao vento. A área exposta ao vento da grua de torre é calculada com base na área sólida: para estrutura treliçada, é a soma das áreas projetadas de todos os elementos; para estruturas de caixa fechada, é a área do contorno.

A norma salienta especificamente que o ponto de aplicação da resultante da carga de vento deve ser calculado pela média ponderada dos centros de área de todos os elementos expostos, e não simplesmente no ponto médio do mastro. Em condição de tempestade, a grua de torre deve permitir a rotação livre da lança através do mecanismo de giro (efeito cata-vento) para reduzir a área exposta ao vento; neste caso, a carga de vento é calculada para a postura de exposição mínima.

Combinações de cargas e fator de segurança

A norma define três combinações básicas de cargas para diferentes condições de trabalho:

Condição A (funcionamento normal sem vento) — P, utilizada para a verificação de resistência da grua de torre em condições de vento fraco ou ausente, com fator de segurança n ≥ 1,22 (relativo ao Limite de Escoamento).

Condição B (funcionamento com vento) — P + A, o espectro de cargas mais frequentemente encontrado, utilizado para o cálculo de resistência do mastro, lança, coroa de giro e ligações da fundação, com fator de segurança n ≥ 1,22.

Condição C (tempestade fora de serviço) — P + A de tempestade, utilizada para verificar a capacidade da grua de torre de resistir a tempestades na condição fora de serviço, com fator de segurança n ≥ 1,10. Nesta condição, a lança deve estar em rotação livre.

Condição S (cargas especiais) — P + S, utilizada para a verificação de instalação, desmontagem, escalada e ensaio, com fator de segurança n ≥ 1,05 para a condição de ensaio.

Estrutura e Design da Ponte Rolante

A ponte rolante da Kelude é projetada com uma estrutura de viga única ou dupla, otimizada para maximizar a eficiência do espaço e a capacidade de elevação. O design compacto da viga principal reduz a altura livre necessária, permitindo uma integração mais flexível em naves industriais com restrições de pé-direito. A construção em aço de alta resistência garante durabilidade e estabilidade operacional, mesmo sob condições de trabalho intensivas.

O sistema de travessia e o mecanismo de elevação são sincronizados para garantir movimentos suaves e precisos. A utilização de componentes modulares facilita a manutenção e a substituição de peças, reduzindo o tempo de inatividade. Além disso, a ponte pode ser equipada com controlo por rádio ou por cabo, adaptando-se às necessidades específicas de cada operação.

Parâmetros Técnicos e Capacidades de Carga

As pontes rolantes Kelude estão disponíveis numa gama de capacidades de carga para atender a diversas aplicações industriais. A tabela seguinte apresenta os parâmetros técnicos padrão para os modelos de viga única e dupla. Os valores podem ser personalizados mediante solicitação para requisitos especiais.

ModeloCapacidade (t)Vão (m)Altura de Elevação (m)Velocidade de Elevação (m/min)
LD-A57.5 – 22.56 – 188 / 0.8
LD-B107.5 – 22.56 – 187 / 0.7
LDP-A167.5 – 25.56 – 206.5 / 0.65
LDP-B207.5 – 25.56 – 206 / 0.6

Os modelos de viga dupla oferecem maior rigidez e são adequados para cargas mais pesadas e vãos maiores. A tabela abaixo resume as especificações típicas para estes modelos.

ModeloCapacidade (t)Vão (m)Altura de Elevação (m)Velocidade de Elevação (m/min)
QD32/510.5 – 31.56 – 227.5 / 0.75
QE50/1010.5 – 31.56 – 226.8 / 0.68
QZ75/2010.5 – 34.56 – 245.5 / 0.55

Mecanismo de Elevação e Controlo

O mecanismo de elevação utiliza um redutor de engrenagens de alta precisão e um travão de disco, garantindo um posicionamento exato e uma operação segura. O motor é dimensionado para um ciclo de trabalho contínuo (FEM 1.001 / ISO 4301), assegurando fiabilidade em regimes de utilização exigentes.

O controlo é realizado através de um variador de frequência (IEC 60204-32), que proporciona um arranque e paragem suaves, reduzindo o balanço da carga e o stress mecânico. Esta funcionalidade é particularmente importante para aplicações que requerem alta precisão, como a montagem de maquinaria pesada.

Segurança e Normas de Referência

Todas as pontes rolantes Kelude são projetadas e fabricadas em conformidade com as normas internacionais de segurança. Os sistemas de proteção incluem limitadores de carga, fins de curso e dispositivos de emergência, que cumprem os requisitos das normas ISO 12480 e IEC 60204-32. A conformidade com estas diretrizes garante um ambiente de trabalho seguro para os operadores e para o equipamento.

A estrutura metálica é calculada de acordo com a norma ISO 4301, assegurando a resistência e a estabilidade necessárias para cada classe de utilização. A Kelude realiza testes de carga e inspeções rigorosas em cada unidade antes da expedição, garantindo a qualidade e a segurança do produto final.

Perguntas Frequentes (FAQ)

P: Qual é o tempo de vida útil típico de uma ponte rolante Kelude?
R: Com uma manutenção regular e correta, a vida útil pode exceder 20 anos. A utilização de componentes de alta qualidade e o cumprimento das normas de segurança contribuem para a longevidade do equipamento.

P: É possível personalizar a ponte rolante para um vão específico?
R: Sim, a Kelude oferece soluções personalizadas. O vão, a altura de elevação e a capacidade de carga podem ser adaptados às necessidades específicas do cliente, desde que tecnicamente viável.

P: Quais são os requisitos de manutenção para este equipamento?
R: Recomenda-se uma inspeção mensal dos componentes críticos, como cabos, travões e limitadores. A lubrificação periódica das engrenagens e rolamentos é essencial. A Kelude fornece um manual de manutenção detalhado e suporte técnico.

P: A ponte rolante pode ser operada em ambientes com atmosfera explosiva?
R: Sim, estão disponíveis versões com proteção especial para atmosferas explosivas (explosion-proof), de acordo com as diretivas ATEX. Estas versões utilizam componentes elétricos e mecânicos específicos para garantir a segurança em áreas classificadas.

P: Qual é o prazo de entrega típico?
R: O prazo de entrega padrão é de 60 a 90 dias, dependendo da configuração e da carga de trabalho da fábrica. Projetos personalizados podem ter prazos diferentes, que serão comunicados no momento da consulta.

condições de operação grupo de carga Concluído carga de vento Condição Fator de segurança verificação Objeto
A Operação normal sem vento P(cargas principais) ≤5Nível de vento n≥1.22 Mastro de torre/Lança Resistência
B Operação com vento P+A(Incluindocarga de vento) ≤7Nível de vento20m/s n≥1.22 Mastro de torre/Rotação/Fixação
C Tempestade em estado não operacional P+Tempestade A 25~40m/s n≥1.10 resistência ao tombamento/Estabilidade contra flambagem
S condições especiais de trabalho P+S ≤5Nível de vento n≥1.05 Elevação/instalação/Ensaio

Cargas adicionais em guindaste de torre amarrado

R: Para guindastes de torre amarrados (que, acima da altura livre, necessitam de ligação ao edifício através de escoras de amarração), a norma exige considerações adicionais: o peso próprio e a carga de vento das escoras de amarração; as reações nos pontos de fixação das escoras ao edifício; os esforços internos adicionais nas escoras devido a deslocamentos ou deformações do edifício; e as tensões térmicas no mastro de torre entre níveis de amarração adjacentes. A carga de projeto das escoras de amarração deve ser o maior dos seguintes valores: a reação de amarração da combinação de cargas B em condição de trabalho normal, multiplicada por 1,5; ou a reação de amarração da combinação de cargas C em condição fora de serviço com vento forte, multiplicada por 1,1.

Cargas de base do mastro de torre — O projeto da fundação deve considerar os valores máximos das cargas transmitidas pelo guindaste em todas as condições de operação, incluindo forças verticais (peso próprio + lastro + cargas variáveis), forças horizontais (vento + inércia de rotação + erro de inclinação) e momentos fletores (momento de tombamento). A fundação do guindaste deve ser verificada quanto à resistência ao tombamento, resistência ao deslizamento e capacidade de carga do solo. A largura mínima da fundação de um guindaste de torre com altura livre não deve ser inferior a 1,4 vezes a largura diagonal do mastro de torre. A Kelude fornece o espectro de carga para cada guindaste, garantindo que o projeto da fundação seja devidamente fundamentado.


Tabela comparativa de combinações de cargas para guindastes de torre

A tabela comparativa seguinte apresenta os parâmetros essenciais das combinações de cargas para guindastes de torre, servindo de referência para a seleção e utilização.

← Deslize a tabela para vê-la completa →
caso de carga combinação de cargas Fator de segurança Cenário de utilização
Operação normal Peso Próprio+carga suspensa+carga de vento 1.5 Trabalho rotineiro
condição fora de serviço Peso Próprio+Máximocarga de vento+Temperatura 1.25 Parada/Tempestade
instalação/Desmontagem Peso Próprio+instalação Carga+carga de vento 1.5 Processo de montagem e desmontagem
carga de teste Peso Próprio+1.25múltiplos da carga nominal 1.25 Ensaio de Tipo

Perguntas frequentes

P: Porque é que a carga de vento é tão importante numa grua de torre?
R: A estrutura da grua de torre é esbelta, com centro de gravidade elevado e grande área exposta ao vento, pelo que a carga de vento representa uma proporção muito elevada da carga total. Tomando como exemplo a grua QTZ80 (altura de torre de 40 m, comprimento da lança de 50 m), com uma pressão de vento em condição de trabalho de 250 N/m², a carga de vento na lança é de aproximadamente 8 kN e a carga de vento no mastro de torre é de aproximadamente 14 kN. O momento de tombamento gerado pela carga de vento total pode atingir mais de 300 kN·m, o que corresponde a 30%–40% do momento de tombamento da carga nominal. Em condições de vento tempestuoso (calculado a 40 m/s), a carga de vento total excede inclusive o momento estabilizante produzido pelo Peso Próprio do guindaste, pelo que a proteção contra ventos fortes é de extrema importância numa grua de torre.
P: Como determinar a carga de projeto das escoras de amarração de um guindaste de torre amarrado?
R: A carga de projeto das escoras de amarração é determinada pela reação horizontal do guindaste no ponto de amarração. A norma especifica que se adote o maior valor entre duas condições de operação: a reação de amarração na condição B (trabalho com vento) multiplicada por 1,5, ou a reação de amarração na condição C (tempestade, fora de serviço) multiplicada por 1,1. A esbeltez das escoras de amarração não deve exceder 150, e o coeficiente de segurança para a tensão de compressão axial não deve ser inferior a 2,0. Os elementos embutidos no ponto de conexão entre a escora e o edifício devem ser projetados para o dobro da carga de cálculo.
P: O que é o efeito cata-vento numa grua de torre?
R: O efeito cata-vento refere-se à condição em que, numa grua de torre em condição fora de serviço durante ventos fortes, o freio de giro é libertado para permitir que a lança rode livremente com o vento, posicionando-a na atitude de mínima área exposta ao vento (eixo da lança paralelo à direção do vento). Estudos demonstram que o efeito cata-vento pode reduzir a carga de vento sobre a lança em 60% a 70%, diminuindo significativamente o momento fletor e o torque no mastro de torre em condições de operação sob ventos fortes. A norma especifica que, em condição fora de serviço durante ventos fortes, o mecanismo de giro da grua de torre deve permanecer em estado de rotação livre. No entanto, na prática, deve-se considerar o risco potencial de colisão com gruas de torre adjacentes.
P: O coeficiente de segurança n≥1.10 na condição de operação C é considerado baixo?
R: A condição de operação C corresponde à condição fora de serviço sob ventos extremos — um evento de probabilidade muito baixa (recorrência de 50 anos), no qual a grua se encontra fora de serviço e o pessoal já foi evacuado. O fator de segurança de 1,10 permite que a tensão na estrutura se aproxime do limite de cedência, mas não que o ultrapasse. Adicionalmente, esta condição de operação exige verificação da resistência ao tombamento: o momento estabilizante deve ser superior a 1,15 vezes o momento de tombamento (sem considerar o lastro) ou a 1,05 vezes (considerando o lastro), garantindo assim uma dupla salvaguarda da segurança.

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