Disposição de controles em guindastes móveis conforme GB/T 24817.2-2009

A norma GB/T 24817.2-2009 «Equipamentos de elevação — Disposição e características dos dispositivos de controle — Parte 2: Guindastes móveis» é a norma específica para o projeto da interface homem-máquina de controle em guindastes móveis. Com base nos princípios gerais estabelecidos na Parte 1, esta norma detalha os requisitos de disposição dos dispositivos de controle, as características de direção de operação e as especificações de projeto para funções de controle especiais, considerando as características operacionais de guindautos, guindastes de esteiras, guindastes todo-terreno e guindastes todo-terreno com cabine única.

A norma GB/T 24817.2-2009 é a Parte 2 da série de normas sobre disposição de dispositivos de controle para equipamentos de elevação. Ela estabelece requisitos específicos para a classificação, disposição e características operacionais dos dispositivos de controle, tendo em conta as particularidades de operação e os requisitos operacionais dos guindastes móveis. Os guindastes móveis combinam funções de deslocamento e içamento num único equipamento, e a disposição racional dos dispositivos de controle influencia diretamente a eficiência de operação e a segurança. Segue uma análise detalhada dos requisitos da norma.

Disposição dos dispositivos de controle para guindastes móveis conforme GB/T 24817.2-2009


Posicionamento da norma e tipos de equipamento aplicáveis

A norma GB/T 24817.2-2009 corresponde à ISO 7752-2:1985 (MOD) e constitui a Parte 2 da série GB/T 24817, sendo especificamente direcionada a guindastes móveis. A norma aplica-se aos seguintes tipos de guindastes móveis: guindautos (incluindo guindastes de carga), guindastes de esteiras, guindastes todo-terreno, guindastes sobre pneus e guindastes de lança telescópica sobre esteiras. Para estes equipamentos, a norma estabelece requisitos detalhados sobre os princípios de disposição, consistência da direção de operação, zoneamento funcional e marcação de identificação dos dispositivos de controle (alavancas de comando, botões, interruptores, pedais, etc.) no interior da cabine do operador ou cabine de controle, durante as operações de içamento. Dado que os guindastes móveis combinam funções de deslocamento e içamento, a disposição dos seus dispositivos de controle é mais complexa do que a dos guindastes fixos — os controlos de deslocamento e de içamento partilham o mesmo espaço e devem estar claramente separados para evitar operações acidentais.

Requisitos de separação entre controlos de deslocamento e de içamento

A particularidade dos guindastes móveis reside no facto de o mesmo equipamento possuir dois modos de operação distintos: deslocamento e içamento. A norma exige claramente que os dispositivos de controle de deslocamento e os de içamento estejam fisicamente separados no espaço:

Zona de controle de deslocamento — O volante, o pedal do acelerador, o pedal de frenagem, a alavanca de câmbio, o interruptor de pisca-pisca e outros dispositivos de controle de deslocamento devem ser dispostos na área diretamente em frente ao posto do condutor, com um layout em conformidade com as normas da indústria automóvel (como a GB 11562). O modo de operação da zona de controle de deslocamento deve ser idêntico ao de um automóvel padrão, garantindo que o condutor não necessita de aprendizagem adicional para circular em estrada.

Zona de controle de içamento — As alavancas de comando de elevação, variação de alcance, giro, extensão/recolhimento da lança e estabilizadores devem ser dispostas diretamente em frente e nos dois lados do posto de operação de içamento, com uma separação espacial clara ou proteção física em relação à zona de controle de deslocamento. A direção de operação das alavancas de comando na zona de içamento deve estar em conformidade com os princípios gerais da Parte 1: puxar para trás para elevação, empurrar para a frente para descida.

Comutação de modo — A transição do modo de deslocamento para o modo de içamento deve ser efetuada através de uma chave seletora de modo (tipo chave ou botão), localizada numa posição de fácil acesso entre as duas zonas de controle. Após a comutação de modo, parte das operações na zona de controle de deslocamento deve ser bloqueada automaticamente (por exemplo, a alavanca de câmbio não deve poder ser operada no modo de içamento).

Controle de deslocamento
Volante/pedais
Layout automóvel padrão
Controle de içamento
4 a 6 alavancas
Frente + laterais
Comutação de modo
Chave seletora
Proteção por intertravamento
Controle de estabilizadores
Painel dedicado
Operação independente dos 4 estabilizadores
Paragem de emergência
Botão cogumelo vermelho
1 no posto de deslocamento + 1 no de içamento
Controle de giro
Alavanca lateral
À direita do assento

Funções de controle específicas de guindastes móveis

Em comparação com os guindastes fixos, os guindastes móveis possuem diversas funções de controle específicas, para as quais a norma estabelece requisitos de disposição dedicados:

Controle de estabilizadores — Os comandos de extensão e recolhimento dos estabilizadores devem ser dispostos num painel de controle dedicado. Cada estabilizador deve possuir duas ações de controle independentes: extensão horizontal e apoio vertical. Os dispositivos de controle devem estar localizados dentro do campo de visão do operador, permitindo observar todo o movimento do estabilizador a partir do solo ou da janela da cabine. O painel de controle dos estabilizadores deve incluir luzes indicadoras de posição (verde para estabilizador totalmente apoiado e vermelho para posição incorreta).

Controle de extensão/recolhimento da lança — Os guindastes de lança telescópica devem possuir uma alavanca de comando (ou alavanca de comando proporcional) para a extensão/recolhimento da lança. A direção de operação deve ser consistente com o movimento real da lança: empurrar para a frente para estender a lança, puxar para trás para a recolher. Para lanças de múltiplas secções, o controle de extensão pode ser sequencial (operação secção a secção) ou por sincronização proporcional (extensão simultânea de várias secções, com o controlador a coordenar automaticamente a velocidade de cada secção).

Painel de controle do limitador de momento de carga — O painel de controle do limitador de momento de carga (LMI) dos guindastes móveis deve ser disposto dentro de um ângulo de ±15° em relação à linha de visão horizontal, diretamente em frente ao posto de operação de içamento. O painel deve apresentar os parâmetros críticos: carga atual, carga nominal, taxa de carga (percentagem), comprimento da lança, alcance e ângulo da lança. Quando a taxa de carga atinge 90%, deve ser emitido um alerta precoce (luz amarela intermitente + alarme sonoro); ao atingir 100%, deve ser emitido um alarme e o desligamento automático dos movimentos em direções perigosas (permitindo apenas operações em direções seguras).

Freio de giro e rotação livre — O mecanismo de giro deve possuir um interruptor de controle do freio de giro e uma chave seletora que permita a rotação livre em condições de operação específicas. A função de rotação livre destina-se a técnicas de içamento específicas (como o alinhamento durante a instalação de turbinas eólicas) e deve estar claramente identificada no painel de controle, com proteção por intertravamento (apenas ativável em condições específicas).

Disposição dos controlos em cabines rotativas

Alguns guindastes móveis de grande porte (como os guindastes todo-terreno) estão equipados com cabine rotativa (cabine de controle que gira com a superestrutura). A norma estabelece requisitos específicos para a disposição dos controlos neste tipo de cabine:

O assento da cabine do operador com rotação deve acompanhar o movimento da plataforma giratória ou dispor de função de rotação independente (ângulo de rotação ≥180°), garantindo que o operador permaneça sempre voltado para a direção da lança durante as operações de içamento. O console de controle deve ser solidário ao assento, assegurando que o joystick e os instrumentos de indicação estejam sempre posicionados à frente do operador. Quando a cabine do operador é rotacionada para uma posição não frontal, os dispositivos de controle de deslocamento devem ser automaticamente bloqueados ou cobertos.

Em guindastes de esteiras de grande porte (Capacidade de Elevação ≥100t), a cabine do operador é normalmente instalada no lado esquerdo ou direito da plataforma giratória. Os requisitos da norma estabelecem que a posição de instalação da cabine deve permitir ao operador visualizar diretamente o gancho e a carga na postura de trabalho normal, não devendo a borda inferior do vidro dianteiro exceder 800mm acima do piso. Caso a visualização direta do gancho seja obstruída pela lança ou pelo mastro, deve ser instalado um sistema auxiliar de câmeras. A Kelude Indústrias Pesadas segue rigorosamente os princípios de setorização da ISO 12480 no projeto de cabines para guindastes do tipo móvel, implementando intertravamento entre os comandos de deslocamento e de içamento com dupla proteção — hardware e software — para garantir zero confusão operacional.

Funções de controle Modo de operação Posição de montagem requisitos especiais
Elevação / Içamento Controle joystick Para frente/Para trás Lado direito do assento Com Micromovimento/Comutação do modo de descida rápida
controle de lança joystick Para frente/Para trás Lado esquerdo do assento Alcance Variação de alcance EÂngulo Variação de alcance
Rotação Controle joystick Empurrar para esquerda/direita Lado direito do assento Modo de giro livre comutável
extensão/recolhimento da lança joystick/Alavanca proporcional Frente esquerda do assento Sequência/Sincronização Telescopagem Opcional
Estabilizador Controle Independentejoystick×4 Abaixo da janela lateral/Solo Cada Estabilizador Operação independente
limitação de torque Painel digital+Tecla Linha de visão horizontal frontal 90%alerta precoce100%Desligamento

Dispositivos de Segurança e Paragem de Emergência

O guindaste móvel deve ser equipado com os seguintes dispositivos de segurança e paragem de emergência: Botão de parada de emergência — instalado tanto no posto de comando de deslocamento quanto no posto de comando de içamento, cada um com um botão tipo cogumelo vermelho. Ao ser acionado, o botão corta o combustível do motor de combustão (ou interrompe a fonte de energia da Bomba Hidráulica) e aciona o acionamento do freio de todos os mecanismos. Se o Alarme de sobrecarga for ativado e o operador não responder dentro de 3 segundos (interrompendo o movimento na direção perigosa), o sistema deve executar o desligamento automático na direção perigosa e ativar o Alarme Sonoro e Visual. Indicador de estabilidade dos Estabilizadores — quando qualquer estabilizador não estiver totalmente apoiado no solo ou a pressão de contato for insuficiente, um alarme sonoro e visual contínuo deve ser emitido, e as operações de Elevação e Rotação devem ser bloqueadas.


Requisitos de Disposição dos Dispositivos de Controle — Tabela Comparativa

A tabela comparativa a seguir apresenta os Parâmetros essenciais para a configuração e os requisitos de disposição dos dispositivos de controle em guindastes do tipo móvel, servindo de referência para a seleção e para os operadores.

← Deslize a tabela para vê-la completa →
dispositivo de controle Funções de operação Posição de montagem requisitos de marcação
Elevação / Içamentojoystick Principal Talha/Auxiliar Talha Lado direito do assento Seta+Capacidade de Elevação Marcação
alavanca de comando do alcance Lança Inclinação Lado esquerdo Ângulo Indicação
alavanca de comando de giro Superestrutura Rotação Esquerda/Lado direito do assento 360°Indicação de direção
deslocamentoplaca de piso Esteira/Tração por pneus Posição do pedal Avanço/Identificação de ré

Perguntas frequentes

P: A norma GB/T 24817.2 exige separação física entre as zonas de comando de deslocamento e de içamento?
R: A norma exige que os dispositivos de controle de deslocamento e de içamento estejam claramente separados no espaço, mas não obriga necessariamente a uma divisão física completa. Em guindautos de médio e pequeno porte com cabine partilhada, a separação pode ser alcançada através da disposição do console de controle — o lado esquerdo dedicado ao deslocamento (volante + painel de instrumentos) e o lado direito ao içamento (joystick + instrumentos de içamento). O intertravamento elétrico é garantido por meio de uma chave seletora de modo. Em guindastes todo-terreno de grande porte, é comum recorrer a uma cabine de controle rotativa, em que a orientação do assento do operador difere entre o modo de deslocamento e o modo de içamento, proporcionando assim uma separação física natural.
P: Onde devem ser instalados os dispositivos de controle do estabilizador?
R: A Norma recomenda que a disposição dos dispositivos de controle do estabilizador permita ao operador observar diretamente o movimento dos estabilizadores a partir da posição de operação. Existem duas soluções comuns: 1) instalação sob a janela lateral da Cabine do Operador, permitindo que o operador visualize todos os estabilizadores com um simples giro de corpo, sem sair do assento; 2) instalação em uma caixa de controle independente na lateral do chassi (Operação no solo), possibilitando que o operador observe diretamente o contato dos estabilizadores com o solo. Em guindastes de grande porte, é comum que ambas as posições sejam equipadas com dispositivos de controle do estabilizador, além de um sistema de Intertravamento para impedir a operação simultânea nos dois locais.
P: Qual é o requisito de precisão para a exibição do painel do limitador de momento de carga?
R: Os requisitos da norma estipulam que a precisão do valor de carga real exibido no painel do limitador não deve ser inferior a ±5% ou ±1t (o que for maior), e o valor de carga nominal deve ser recalculado e atualizado automaticamente com base no comprimento da lança e no alcance. A frequência de atualização da exibição não deve ser inferior a 3 vezes por segundo. A taxa de carga no painel (carga real / carga nominal × 100%) deve ser exibida em fonte grande e destacada, sendo recomendado o uso de uma barra de progresso colorida como auxílio visual (verde <80%, amarelo 80~90%, laranja 90~100%, vermelho ≥100%).
P: Como devem ser dispostos os botões de parada de emergência numa cabine do operador rotativa?
R: Na cabine do operador rotativa, devem ser instalados dois botões de parada de emergência: um na base fixa da cabine (na parte que não acompanha a rotação) e outro no interior da cabine. O botão de parada de emergência fixado na base permanece acessível ao operador quando este se encontra no solo, durante a operação no solo. Os dois botões estão ligados em paralelo — o acionamento de qualquer um deles interrompe imediatamente a máquina. A altura de instalação dos botões deve situar-se entre 1,2 e 1,5 m acima do piso.

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