ISO 23853:2023 — Qualificação de operadores de guindastes
Visão geral da norma: A ISO 23853:2023 — "Guindastes — Requisitos de competência para sinaleiros e amarradores de cargas" — é a norma de qualificação de pessoal mais recentemente revista e publicada pelo ISO/TC 96 em 2023. Define os conhecimentos teóricos, as competências práticas e as condições de saúde exigidas aos amarradores de cargas (amarração, fixação de ganchos e desaperto) e aos sinaleiros em operações de içamento. Esta norma complementa a ISO 15513 — "Guindastes — Requisitos de competência para operadores" — e, em conjunto, abrangem a gestão de qualificações de todo o pessoal envolvido em operações de elevação.
Cerca de 40% dos acidentes em operações de içamento estão relacionados com amarração incorreta de cargas ou erros de sinalização. O aumento da tensão no cabo devido a ângulos excessivos na amarração, a inclinação do centro de gravidade causada por uma seleção inadequada dos pontos de fixação, ou os erros de manobra resultantes de gestos ambíguos — estes aspetos, aparentemente básicos, quando falham, podem provocar desde a queda de materiais até acidentes fatais com danos materiais graves. A ISO 23853:2023 estabelece um quadro normalizado de competências para amarradores e sinaleiros, estruturado em três dimensões: conhecimentos, competências práticas e saúde.
Requisitos teóricos para amarradores de cargas
A ISO 23853 exige que os amarradores dominem os seguintes conhecimentos teóricos essenciais: ① Seleção de acessórios de elevação — escolha do diâmetro do cabo de aço e da especificação da cinta de elevação com base no peso da carga, na posição do centro de gravidade e na distância entre os pontos de fixação. O fator de segurança do cabo de aço não deve ser inferior aos valores prescritos na ISO 4308 — Seleção de cabos de aço para guindastes (fator ≥5 para cabos em serviço e ≥5 para cabos de amarração); ② Cálculo do ângulo de elevação e da tensão no cabo — por cada aumento de 30° no ângulo entre dois cabos, a tensão em cada cabo aumenta entre 15% e 100%. Para ângulos >90°, a tensão aumenta drasticamente; acima de 120°, o içamento é estritamente proibido; ③ Estimativa do centro de gravidade — para objetos homogéneos de forma paralelepipédica, o centro de gravidade situa-se no centro geométrico; para objetos irregulares, o centro de gravidade real deve ser determinado através de um içamento de teste, elevando ligeiramente a carga do solo e observando a tendência de inclinação.
Os amarradores devem também conhecer a norma de descarte dos diversos acessórios de elevação: um cabo de aço deve ser descartado quando o número de fios rompidos num passo de torção atingir 10% do total de fios; uma cinta de elevação sintética deve ser retirada de serviço se a etiqueta de identificação estiver danificada ou ilegível; uma corrente de elevação deve ser descartada quando o alongamento de um único elo exceder 5% do passo original.
Competências de sinalização exigidas ao sinaleiro
A ISO 23853 define três métodos normalizados de sinalização e as respetivas condições de aplicação. Gestos — durante o dia, com boa visibilidade, o sinaleiro deve posicionar-se no local ideal, sem obstrução da visão do operador de ponte rolante. Os gestos devem ser decisivos, claros, com os braços totalmente estendidos, transmitindo apenas uma instrução de cada vez. Bandeirolas — adequadas para distâncias superiores a 50 m ou quando o fundo é complexo e os gestos são difíceis de distinguir; utilizam-se bandeirolas bicolores (vermelho e verde). Comunicação por rádio — adequada para operações noturnas, condições de visibilidade reduzida ou quando existem obstáculos que bloqueiam a visão. As mensagens devem ser normalizadas e concisas (por exemplo: "Gancho principal — elevação — lenta — parar"), sendo proibido substituir os comandos normalizados por linguagem coloquial.
A ISO 23853 enfatiza o princípio "um para um": um guindaste só pode receber comandos de um único sinaleiro durante uma operação de içamento. O sinal de paragem de emergência (ambos os braços levantados e cruzados, ou a palavra "parar" repetida continuamente pelo rádio) deve ser autorizado a todos — qualquer trabalhador que detete perigo pode emitir o sinal de paragem de emergência, e o operador de ponte rolante deve executá-lo imediatamente, sem hesitação.
Critérios de avaliação prática
Após a formação teórica, é obrigatória uma avaliação prática para obter a certificação. Os testes práticos para amarradores previstos na ISO 23853:2023 incluem: ① estimar o centro de gravidade e selecionar os acessórios de elevação para uma carga irregular num prazo de 15 minutos; ② executar amarrações de um, dois e quatro pontos, garantindo que o cabo de aço ou a cinta de elevação são apertados de forma adequada, e que o número e o espaçamento dos grampos de cabo estão em conformidade com a norma (a parte em U do grampo deve ficar no lado curto do cabo, com espaçamento de 6 a 7 vezes o diâmetro do cabo); ③ apresentar corretamente 6 dos 12 gestos normalizados, à escolha, num prazo de 5 minutos.
Avaliação do sinaleiro: num cenário simulado de içamento, o operador de ponte rolante deve, guiando-se exclusivamente pelas instruções do sinaleiro, completar todo o percurso de elevação da carga do ponto A, transpor um obstáculo de 3 m de altura e aterrar numa área circular de 0,5 m de diâmetro, num prazo máximo de 5 minutos. O derrube do obstáculo ou a aterragem fora da área delimitada resulta em reprovação.
Condições de saúde e revalidação periódica
A ISO 23853:2023 exige que os amarradores e sinaleiros cumpram as seguintes condições de saúde: acuidade visual binocular, com ou sem correção, igual ou superior a 0,7; visão cromática normal (capacidade de distinguir corretamente as cores vermelho, amarelo e verde); limiar auditivo médio ≤25dB nas frequências de 500Hz, 1000Hz e 2000Hz; ausência de hipertensão não controlada (pressão arterial ≤160/100mmHg), ausência de histórico de epilepsia e de síndromes vertiginosas. Pessoas com mais de 50 anos devem realizar exames médicos anualmente; pessoas com 50 anos ou menos, de dois em dois anos.
O certificado de qualificação tem validade de 5 anos. A reciclagem e o exame de revalidação devem ser concluídos nos 3 meses anteriores ao termo da validade. Qualquer pessoa que tenha estado afastada de operações de içamento por mais de 6 meses consecutivos deve ser submetida a uma nova avaliação prática antes de retomar a atividade, para que a qualificação seja restabelecida.
| Método de Sinalização | Condições de Aplicação | Distância Efetiva | Requisitos |
|---|---|---|---|
| Gestos | Período Diurno/Boa Visibilidade | ≤50m | 12unidade(s)Norma Gestos Decisivos e Claros |
| Sinalização por Bandeiras | Longa Distância/Fundo Complexo | 50~200m | Bandeiras de Sinalização Bicolor (Vermelha e Verde) |
| Rádio | Período Noturno/Obstrução/Condições Climáticas Adversas | Ilimitado | Norma Terminologia Proibido Linguagem Coloquial |
Perguntas Frequentes
P: Um guindaste pode receber comandos de dois sinaleiros ao mesmo tempo?
R: Em princípio, não. A norma ISO 23853 estabelece claramente que "um operador recebe comandos de um único sinaleiro", para evitar conflitos de instruções. A única exceção ocorre em operações de transferência — quando a carga é movida da zona A para a zona B e o sinaleiro perde o campo de visão. Nesse caso, o sinaleiro da zona A pode "entregar" o comando ao sinaleiro da zona B via rádio, anunciando explicitamente "transferência de comando". Após a confirmação do recetor, o sinaleiro original cessa imediatamente os sinais. Em qualquer momento, apenas um sinaleiro permanece em estado de "comando principal".
P: Quais são as vantagens da cinta de elevação sintética em relação ao cabo de aço? Quando não deve ser utilizada?
R: A cinta de elevação sintética apresenta como vantagens o peso próprio reduzido, a flexibilidade que não danifica a superfície da carga e a resistência à corrosão por ácidos e álcalis. É indicada para içamento de equipamentos de precisão (motores, fusos de máquinas-ferramenta), peças com pintura e recipientes em aço inoxidável. No entanto, a cinta não deve ser utilizada nas seguintes situações: ① temperatura da carga superior à temperatura nominal da cinta (cinta padrão de poliéster ≤100°C, cinta de aramida ≤250°C); ② carga com arestas vivas sem proteção de cantos; ③ cinta com cortes visíveis, queimaduras químicas ou rutura das costuras; ④ cintas armazenadas ao ar livre com envelhecimento UV avançado (descoloração, textura rígida e quebradiça). Nestes casos, deve-se utilizar cabo de aço ou corrente.
P: Como coordenar a elevação em tandem de dois guindastes?
R: A operação de elevação em tandem exige um plano de içamento específico e um coordenador geral único. Cada guindaste dispõe de um sinaleiro próprio (2 no total), ambos subordinados às instruções do coordenador geral. O coordenador transmite comandos de sincronização via rádio simultaneamente para os dois guindastes. Durante a elevação e a descida, a diferença de altura dos ganchos entre os dois guindastes não pode exceder 300 mm. Antes da operação, deve-se verificar que a taxa de carga real de cada guindaste não ultrapassa 75% da carga nominal (coeficiente de redução de 0,75 para elevação em tandem) e realizar um ensaio em vazio para confirmar a comunicação dos sinais de comando.
P: Os gestos de sinalização são idênticos nas normas nacionais e na ISO?
R: A maioria dos gestos é coincidente, mas existem algumas diferenças pontuais. Por exemplo, a "paragem de emergência" na ISO 23853 é executada com ambos os braços levantados e cruzados com movimento oscilante — o mesmo gesto previsto na norma nacional. No entanto, a "elevação lenta" na norma nacional é sinalizada com uma mão acima da cabeça, palma para cima, com pequenos movimentos verticais; na ISO 23853, exige-se que a outra mão aponte simultaneamente na direção do movimento. Recomenda-se que, em projetos internacionais ou com operadores estrangeiros, seja realizada uma sessão de reconhecimento mútuo dos gestos antes do início dos trabalhos, garantindo que todos os sinais tenham o mesmo significado.