Norma de Cabo de Aço para Gruas: Seleção, Instalação e Descarte

A norma GB/T 24811.1-2009 — «Equipamentos de elevação — Cabos de aço — Parte 1: Requisitos gerais» é a norma de referência para a seleção, instalação e manutenção de cabos de aço em gruas. A norma define a terminologia, classificação, requisitos técnicos, métodos de cálculo para seleção, procedimentos de instalação e critérios de descarte para cabos de aço de gruas, correspondendo à ISO 4309:2004 (MOD). O cabo de aço é a «linha de vida» do guindaste — a seleção correta e o uso adequado são a garantia fundamental para operações de içamento seguras.

A norma GB/T 24811.1-2009 é a Parte 1 da série de normas para cabos de aço de gruas, estabelecendo requisitos abrangentes para princípios de seleção, métodos de instalação e critérios de descarte. O cabo de aço é o componente crítico de suporte de carga do mecanismo de elevação, e a sua utilização segura está diretamente relacionada com a segurança de pessoas e equipamentos. Segue uma análise dos principais requisitos da norma.

Norma GB/T 24811.1-2009 para cabos de aço de gruas


Posicionamento da norma e classificação dos cabos de aço

A norma GB/T 24811.1-2009 é aplicável à seleção, instalação e manutenção de cabos de aço em gruas de tipo ponte, tipo pórtico, tipo torre, guindastes móveis e guindastes de lança. A norma classifica os cabos de aço quanto à construção em: cabos de torção simples (1×7, 1×19, 1×37, etc.), cabos de torção dupla (6×7, 6×19, 6×37, etc., os tipos mais comuns) e cabos de torção tripla. Quanto ao sentido de torção, classificam-se em cabo cruzado à direita (ZS), cabo cruzado à esquerda (SZ), cabo paralelo à direita (ZZ) e cabo paralelo à esquerda (SS). Os tipos mais utilizados no mecanismo de elevação de gruas são o 6×37+FC (alma de fibra, 6 pernas com 37 arames cada) e o 6×19W+IWR (alma de aço independente, 6 pernas com 19 arames cada, tipo Warrington). A alma do cabo pode ser de fibra (FC), fibra natural (NFC), fibra sintética (SFC) ou alma de aço (WSC/IWR). Os cabos com alma de fibra oferecem boa flexibilidade mas menor resistência ao esmagamento, sendo adequados para bobinagem multicamada em tambores. Os cabos com alma de aço apresentam maior resistência e melhor desempenho contra esmagamento, sendo recomendados para gruas de grande tonelagem com bobinagem de camada única.

Cálculo para seleção do cabo de aço

A norma especifica que a força mínima de ruptura F_min do cabo de aço e a força máxima de trabalho S_max devem satisfazer: F_min ≥ S_max × n, onde n é o fator de segurança. Valores do fator de segurança para diferentes mecanismos de gruas: mecanismo de elevação n=4~6 (de acordo com a classe de trabalho A1~A8, correspondendo a 4~6); mecanismo de elevação de grua de garras n=5~6; mecanismo de elevação de grua de torre n≥5; mecanismo de elevação de guindaste móvel n≥3,5 (considerando a proteção contra sobrecarga do sistema hidráulico); mecanismo telescópico da lança n≥4; mecanismo de tração do carro n≥3,5. A determinação do fator de segurança baseia-se na classe de funcionamento do equipamento, no grau de perigo das cargas movimentadas e na frequência de utilização. Para gruas que movimentam metal fundido, resíduos nucleares ou outras cargas perigosas, o fator de segurança deve ser aumentado em 1~2.

Cálculo da força máxima de trabalho S_max do cabo de aço: S_max = (Q + q) / (m × η), onde Q é a capacidade nominal de elevação, q é o peso próprio do spreader, m é a multiplicação da talha e η é o rendimento do moitão (η≈0,97~0,98 para rolamentos, η≈0,95~0,96 para mancais de deslizamento).

Fator de segurança — elevação
n=4~6
Conforme classe A1~A8
Fator de segurança — tipo móvel
n≥3,5
Proteção hidráulica
Fator de segurança — grua de torre
n≥5
Içamento de pessoas + betão
Construções comuns
6×37+FC
6×19W+IWR
Força de ruptura
F_min≥S_max×n
Certificado de garantia
Critérios de descarte
Ruptura de fio/desgaste/corrosão
Qualquer excesso — substituir

Instalação e manutenção do cabo de aço

A qualidade da instalação do cabo de aço influencia diretamente a sua vida útil. A norma estabelece requisitos claros para a instalação e manutenção: antes da instalação, o cabo deve ser inspecionado segmento por segmento quanto a defeitos visíveis (fios rompidos, nós, esmagamento, queimaduras por arco elétrico, etc.); cabos com defeitos evidentes não podem ser utilizados. Durante o desenrolamento, devem evitar-se nós e torções, utilizando um dispositivo rotativo para libertar a tensão interna do cabo. Ao enfiar o cabo, o ângulo de inclinação nas polias e no tambor não deve exceder 1,5°~2° (o desalinhamento entre o tambor e o centro das polias gera atrito). A fixação das extremidades do cabo deve ser feita com soquete de cunha ou com placas de pressão, e a resistência à ruptura na zona de fixação não deve ser inferior a 80% da força mínima de ruptura do cabo.

Durante o período inicial de utilização, o cabo de aço sofre um alongamento estrutural (cerca de 0,1%~0,5% do comprimento do cabo). Após 24 horas de uso, a tensão do cabo deve ser reajustada e a fixação das extremidades verificada. O cabo deve ser lubrificado adequadamente, com um lubrificante compatível com a construção do cabo. A lubrificação deve ser aplicada com o cabo limpo, ao passar pelas polias e tambor (espessura da película de óleo cerca de 0,5 mm; frequência de lubrificação: pelo menos uma vez por mês).

Critérios de descarte do cabo de aço

A norma define detalhadamente os critérios de rejeição para cabos de aço, com base nos seis indicadores seguintes:

Número e distribuição de fios rompidos — Quando o número de fios rompidos num passo de torção atinge 10% do total de fios, o cabo deve ser descartado (por exemplo, num cabo 6×37, ≥22 fios rompidos num passo de torção). Se as rupturas estiverem concentradas localmente (por exemplo, numa única perna, com o número de fios rompidos a atingir 50% do total dessa perna), ou se ocorrer rutura completa de uma perna, o cabo deve ser imediatamente substituído.

Redução de diâmetro — O cabo deve ser descartado quando a redução do diâmetro nominal exceder 7% (em relação ao diâmetro nominal). A redução de diâmetro resulta de desgaste externo e corrosão interna combinados; a medição deve ser feita sem carga, a pelo menos 2 m da extremidade do cabo.

Corrosão — O cabo deve ser descartado quando se verifica corrosão externa visível (oxidação superficial, descamação, picagens) ou corrosão interna (verificada por sonda, com vestígios de ferrugem na alma do cabo). A corrosão é mais perigosa do que a ruptura de fios, pois enfraquece todos os arames e não apenas uma parte localizada.

Deformação — O cabo deve ser descartado quando apresenta deformações estruturais como ondulação, deformação em lanterna, deformação em gaiola de pássaro, torção, esmagamento ou nós. As deformações não só reduzem a resistência do cabo, como também provocam desgaste anormal nas polias e no tambor.

Danos térmicos — cabos de aço que apresentem queimaduras por arco elétrico, exposição a chamas ou descoloração por sobreaquecimento (cores de revenido — azul ou amarelo) devem ser imediatamente sucateados. Os danos térmicos provocam o recozimento localizado do arame de aço, resultando numa redução drástica da resistência, sendo esta deterioração difícil de detetar visualmente.

Perda de elasticidade — quando se verifica uma redução de diâmetro do cabo de aço acompanhada de uma diminuição evidente da elasticidade (rigidez ao toque, falta de adaptação do cabo à polia durante a flexão), o cabo deve ser sucateado.

sucateamento Item critérios de avaliação Detecção Método Periculosidade
Número de fios rompidos Quantidade Umpasso de torção≥10%Número total de fios Inspeção visual+calibrador de lâminas
Redução de diâmetro ≥7%diâmetro nominal paquímetro
Corrosão Pites externos/Corrosão interna Inspeção visual+Sonda
Deformação Ondulação/Efeito lanterna/Gaiola de pássaro/Achatamento Inspeção visual
Dano térmico Revenimento Descoloração/Queimadura por arco elétrico Inspeção visual+Partículas magnéticas
Elasticidade Redução Dobramento rígido sem conformidade Tato+Flexão

Inspeção Diária do Cabo de Aço

Os requisitos da norma determinam que o operador e o pessoal de manutenção realizem a inspeção diária do cabo de aço. O conteúdo da inspeção inclui: aspeto geral do cabo (ruptura de fio, deformação, corrosão, estado de lubrificação), com especial atenção às zonas de ligação ao tambor, às secções que passam pelas polias, bem como aos pontos de passagem pelo compensador e pelo dispositivo anti-torção. Quando a vida útil do cabo de aço atingir 75% da vida útil de projeto (calculada com base na tonelagem içada acumulada ou nas horas de utilização), a frequência de inspeção deve ser aumentada para duas vezes por semana. A inspeção do cabo de aço deve ser registada, devendo o registo incluir, no mínimo: número do equipamento, número e especificação do cabo, data de instalação, tempo de utilização acumulado (horas ou número de içamentos), data e resultado de cada inspeção, data e motivo de descarte. A Kelude oferece serviços de aconselhamento na configuração de cabos de aço para guindastes e de inspeção periódica, garantindo que o cabo se mantenha sempre em condições de uso seguro.


Tabela Comparativa: Seleção, Instalação e Critérios de Descarte do Cabo de Aço

A tabela comparativa seguinte apresenta os parâmetros essenciais para a seleção, instalação e critérios de descarte do cabo de aço, servindo de referência para o pessoal de seleção e utilização.

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Cabo de Aço Tipomínimo Fator de segurançarequisitos de instalaçãocritérios de descarte
cabo de elevação≥5Pré-tensionamento+Antitorçãoruptura de fio≥4Unidade(10d)
Cabo de aço de lufada≥4Pré-tensionamento+Antitorçãoruptura de fio≥4Unidade(10d)
Carro Cabo de tração≥3Força de traçãoajusteruptura de fio≥6Unidade(30d)
Alma Cabo prensado≥5Comprimento de prensagem≥Diâmetro do cabo20VezesJunta Trinca/Deslizamento

Perguntas frequentes

P: Num cabo de aço, quando a ruptura de fio atinge 10% dentro de um passo de torção, o cabo deve ser sucateado. Como se mede esse "passo de torção"?
R: O passo de torção corresponde ao comprimento de um ciclo helicoidal completo de torção do cabo de aço. Para cabos de 6 pernas, o método de medição é o seguinte: marca-se um ponto na superfície do cabo, paralelo ao eixo; a partir desse ponto, conta-se 6 pernas até regressar ao mesmo ponto de referência — a distância axial entre esses dois pontos equivale a um passo de torção. Cabos com estruturas diferentes apresentam passos distintos: na estrutura 6×19, o passo de torção é de aproximadamente (6~7)×d (sendo d o diâmetro do cabo de aço); na estrutura 6×37, o passo varia entre (7~8)×d. Tomando como exemplo um cabo de aço 6×37 com diâmetro de 20 mm, o passo de torção será de cerca de 140~160 mm; se nesse comprimento se verificar uma ruptura de fio ≥22 (10% do total de 222 arames), o cabo deverá ser sucateado.
P: Quais são os requisitos de frequência e de graxa para a lubrificação do cabo de aço?
R: A norma exige a lubrificação regular do cabo de aço. A frequência depende da intensidade de utilização e do ambiente: em ambiente interior padrão, pelo menos uma vez por mês; em ambiente exterior com poeira, humidade ou agentes corrosivos, pelo menos uma vez por semana; em ambiente de alta temperatura (como em oficinas de siderurgia), inspecionar e repor a lubrificação após cada utilização. Deve ser utilizada graxa específica para cabo de aço (com boa penetração, adesão e propriedades resistentes à corrosão). É proibido o uso de graxa comum, uma vez que esta tende a escorrer, contaminando o ambiente, e apresenta fraca proteção anticorrosão. Durante a lubrificação, a graxa deve penetrar completamente até à alma do cabo. A quantidade ideal é aquela em que, ao tocar na superfície do cabo com os dedos, se verifica uma ligeira exsudação de graxa — quantidade excessiva atrai poeira e acelera o desgaste.
P: O que fazer quando o Cabo de Aço apresenta torções durante a utilização?
R: A torção do Cabo de Aço constitui um dano estrutural grave — qualquer cabo torcido deve ser imediatamente sucateado e não pode continuar em serviço. A torção ocorre normalmente durante a instalação (desenrolamento incorreto) ou em serviço (rotação do cabo). Na zona da torção, o cabo já sofreu deformação plástica interna e desgaste localizado; mesmo que aparentemente volte ao normal após ser desfeito, a sua Resistência fica significativamente reduzida (podendo atingir 40%~60% de perda). Métodos de prevenção: utilizar um dispositivo de compensação de rotação durante a instalação para libertar a Tensão interna do cabo; instalar dispositivos anti-rotação no Tambor e no sistema de polias; utilizar Cabo de Aço não rotativo (estrutura multi-pole de Arame de aço) em gruas de edifícios altos.
P: A flecha e o alongamento do cabo de elevação do guindaste estão dentro do normal?
R: Na primeira utilização, um cabo de aço novo passa por um processo de "alongamento de assentamento" (0,1% a 0,5%). Por exemplo, um cabo de 50 m pode alongar entre 50 e 250 mm. Por este motivo, recomenda-se efetuar o primeiro ajuste de tensão nas 24 horas seguintes à instalação, de modo a compensar o alongamento excedente. Durante o funcionamento normal, o cabo de aço apresenta também um ligeiro alongamento elástico (Módulo de Elasticidade E ≈ 100 GPa; o alongamento elástico sob carga pode ser calculado por σ/E). Se o cabo continuar a alongar sob carga constante, excedendo os valores normais, tal pode indicar danos internos (ruptura de fio, corrosão da alma) e deve ser imediatamente inspecionado para eliminar o risco.

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