Guia Completo da Norma GB/T 10603-2015 para Garras Industriais

A norma GB/T 10603-2015 «Garras» é a norma de produto geral para garras de guindaste. A norma especifica a classificação, os requisitos técnicos, os métodos de ensaio e as regras de inspeção das garras, sendo aplicável à fabricação e aceitação de garras para guindastes, incluindo garras de dois cabos, garras de cabo único, garras hidráulicas e garras elétricas.

A GB/T 10603-2015 é a norma técnica geral para garras, definindo a classificação, os requisitos técnicos, os métodos de ensaio e as regras de inspeção. A garra é o dispositivo de carga central na movimentação de materiais a granel, amplamente utilizada em operações de movimentação de materiais em portos, usinas elétricas e empresas metalúrgicas.

Garra conforme GB/T 10603-2015


Classificação e tipo estrutural das garras

A GB/T 10603-2015 classifica as garras quanto ao modo de acionamento: garra de dois cabos — dois cabos de aço controlam separadamente a abertura/fecho e a elevação; estrutura simples e fiável, sendo o tipo de garra mais utilizado. Garra de cabo único — apenas um cabo de aço executa simultaneamente a abertura/fecho e a elevação, com comutação através de um mecanismo especial de bloqueio mecânico em posições determinadas; aplicável a guindastes simples com tambor único. Garra hidráulica — a abertura e o fecho das conchas são acionados por cilindros hidráulicos, proporcionando elevada força de aperto e controlo preciso; adequada para manusear materiais de grandes dimensões ou de elevada dureza. Garra elétrica — incorpora um guincho elétrico ou atuador linear elétrico para acionar a abertura e o fecho, sem necessidade de cabos externos; adequada para gruas de garras dedicadas. Quanto ao número de conchas, as garras classificam-se em garras de duas conchas (duas conchas simétricas, o tipo mais versátil, adequado para carga e descarga de materiais a granel) e garras de múltiplas conchas (4 a 8 conchas dispostas em forma de flor, adequadas para manusear minério de grandes dimensões, sucata de aço e toros de madeira). Quanto à densidade do material, classificam-se em leves (densidade do material ≤1,2 t/m³, como carvão e cereais), médias (densidade 1,2–2,0 t/m³, como areia, brita e minério) e pesadas (densidade ≥2,0 t/m³, como minério de ferro e escória de aço).

Parâmetros técnicos e seleção

Principais parâmetros técnicos da garra definidos pela norma: capacidade nominal de volume — volume útil interno da garra em posição fechada, em m³. Capacidade nominal de carga — peso nominal do material recolhido numa única operação, em t, geralmente igual ao peso próprio da garra mais o peso nominal do material. Peso próprio — peso da própria garra, componente importante da capacidade nominal do guindaste. A relação de aperto (peso do material recolhido / peso próprio da garra) é o indicador central da eficiência da garra — para garras de dois cabos, esta relação é geralmente de 1,5 a 2,5; para garras hidráulicas, pode atingir 2,5 a 4,0. Dimensão máxima de abertura — distância horizontal máxima entre as pontas das duas conchas quando totalmente abertas; determina a área de recolha no material e o espaço de operação necessário para o guindaste compatível. Altura de fecho — altura exterior da garra quando totalmente fechada; influencia a altura de elevação mínima do guindaste. A norma recomenda uma série de capacidades de volume (0,5 m³, 0,75 m³, 1,0 m³, 1,5 m³, 2,0 m³, 2,5 m³, 3,0 m³, 4,0 m³, 5,0 m³, 6,0 m³, 8,0 m³ e 10,0 m³, num total de 12 especificações); o utilizador deve selecionar a capacidade adequada em função da densidade do material e da capacidade de elevação disponível.

Materiais e resistência estrutural

Requisitos da norma relativos a materiais e resistência estrutural: material das conchas — as conchas devem ser fabricadas em aço de alta resistência e resistente ao desgaste; os materiais recomendados são Q345B, Q390D ou aço estrutural de baixa liga de nível igual ou superior. As arestas de corte das conchas (zona de contacto direto com o material) devem ser fabricadas em aço-liga resistente ao desgaste (como NM400 ou NM500, dureza HB360–500) ou revestidas com camada de soldagem resistente ao desgaste. Após desgaste das arestas, é permitida a soldagem de reparo. Componentes estruturais principais — a viga superior, a viga inferior e os tirantes devem ser fabricados em aço Q345B ou superior; as juntas soldadas devem ser submetidas a ensaio não destrutivo (100% de ensaio ultrassónico nas soldas de topo principais). Pinos e buchas — os pinos das articulações móveis (pinos de ligação das conchas à viga inferior, pinos nas extremidades dos tirantes) devem ser fabricados em aço 40Cr ou 42CrMo, com dureza após têmpera HRC40–50; os pinos e buchas devem possuir niples de lubrificação para aplicação de graxa. Polia de cabo de aço — as polias de cabo de aço na viga superior devem estar em conformidade com a GB/T 24809; a relação entre o diâmetro da polia e o diâmetro do cabo de aço deve ser D/d ≥ 20.

Ensaios e inspeção de garras

Ensaios definidos pela norma: Teste sem Carga — todos os mecanismos da garra devem funcionar livremente, sem obstruções; as conchas devem abrir e fechar de forma sincronizada e, quando fechadas, os espaços entre as arestas devem ser uniformes (espaço máximo ≤3 mm). Teste de Carga — ensaio de recolha simulado com material a granel na capacidade nominal (não menos de 10 ciclos), verificando o desempenho de fecho da garra em carga plena e a vedação das conchas (o material não deve vazar significativamente pelos espaços entre conchas). Ensaio de Resistência — aplicação de 1,25 vezes a carga nominal em ensaio de carga estática, verificando se os componentes estruturais apresentam deformação permanente ou trincas. Ensaio de Força de Aperto — medição da capacidade real de recolha em condições de ensaio padronizadas; o valor não deve ser inferior a 90% da capacidade nominal. Regras de inspeção — cada garra deve ser submetida a teste sem carga e inspeção visual antes da entrega; 20% das garras do mesmo lote devem ser submetidas a teste de carga (em caso de reprovação, todas as unidades do lote são ensaiadas). O ensaio de tipo deve ser realizado a cada 5 anos.

Manutenção e conservação de garras

A manutenção diária da garra está diretamente relacionada com a vida útil do equipamento e a segurança operacional. A norma estabelece requisitos sistemáticos para a manutenção: antes de cada jornada de trabalho, deve ser realizada uma inspeção visual completa, com atenção especial ao desgaste das arestas de corte, à lubrificação dos pontos de articulação e ao estado de desgaste do cabo de aço. Semanalmente, devem ser removidos resíduos de material e poeira das zonas móveis da garra, verificando as folgas dos pinos e buchas (quando a folga unilateral exceder 3 mm, a bucha deve ser substituída). Trimestralmente, deve ser realizada uma revisão geral, desmontando os pontos de articulação para verificar a quantidade de desgaste dos pinos (substituição quando o desgaste do diâmetro exceder 3% da dimensão original) e realizando inspeção visual e ensaio por partículas magnéticas em todas as soldas. A norma exige igualmente que o fabricante forneça o manual de operação e manutenção, incluindo a tabela de lubrificação, a lista de peças de desgaste e o processo de desmontagem e montagem.

Tipo modo de acionamento Relação de apreensão Materiais aplicáveis Custo
Duplo cabo Garra Cabo de Açoabrir e fechar+Elevação / Içamento 1.5~2.5 Materiais a granel(Carvão, areia e grãos) Baixo
Cabo simples Garra Cabo simples+Mecanismo de travamento 1.2~1.8 Granel leve Baixo
Garra Hidráulica Cilindro Hidráulico Acionamento 2.5~4.0 Minério bruto e sucata Alto
Elétrico Garra Integrado Elétrico Talha 1.8~3.0 Diversos materiais Médio

Perguntas Frequentes

P: Quais são os tipos estruturais de garras e a que materiais se aplicam?

R: A norma classifica as garras quanto ao tipo estrutural em: 1) Garra de dois cascos — composta por dois cascos, de construção simples e grande versatilidade, aplicável a granéis como carvão, minério e areia; 2) Garra multifolha (garta tipo lótus) — composta por 6 a 8 cascos, com elevada força de escavação e alto fator de enchimento, aplicável a minério em blocos grandes e sucata de aço; 3) Garra de tesoura — os cascos fecham em forma de tesoura, aplicável a materiais de grão fino e operações de limpeza de porão. Quanto ao modo de acionamento, classificam-se em garras de cabo de aço (controladas por tambor duplo de elevação e abertura/fecho) e garras hidráulicas (com abertura e fecho dos cascos acionados pelo sistema hidráulico).

P: Quais são os requisitos para o fator de enchimento da garra?

R: O fator de enchimento é um indicador essencial da eficiência de recolha da garra — corresponde à razão entre o peso do material recolhido numa única operação e o peso próprio da garra. A norma exige que o fator de enchimento seja ≥1,5 para garras de dois cascos (ou seja, o peso do material recolhido deve ser pelo menos 1,5 vezes o peso próprio da garra) e ≥1,2 para garras multifolha. Um fator de enchimento reduzido traduz-se em baixa eficiência operacional e custos operacionais mais elevados. Os fatores que influenciam o fator de enchimento incluem: a forma dos cascos e o ângulo do gume, a densidade e a granulometria do material, e a velocidade de descida da garra. As garras Kelude são submetidas a ensaio de verificação do fator de enchimento antes da entrega.

P: Quais são os requisitos para o tratamento antidesgaste do gume da garra?

R: O gume da garra é o elemento em contacto direto com o material, estando sujeito a desgaste extremamente severo. A norma exige que o gume seja fabricado em material resistente ao desgaste ou sujeito a tratamento antidesgaste: 1) Revestimento soldado — aplicação de camada de revestimento em ferro fundido de alto cromo ou carboneto de crómio na superfície do gume, com espessura ≥5mm e dureza HRC55~62; 2) Lâminas de desgaste substituíveis — fabricadas em aço-liga resistente ao desgaste (como NM400, NM500), fixadas ao gume do casco por parafusos. Embora o custo inicial das lâminas substituíveis seja mais elevado, a sua substituição e manutenção são mais convenientes, resultando num custo total de ciclo de vida mais baixo.

P: Quais são os pontos críticos da inspeção diária e da manutenção da garra?

R: Inspeção diária: verificar a abertura e o fecho suaves dos cascos, a ausência de desgaste ou lascas evidentes no gume e a inexistência de ruptura de fio ou desgaste no cabo de aço. Inspeção semanal: verificar o desgaste dos pinos de articulação e das buchas (substituir quando o diâmetro do pino apresentar desgaste superior a 3%), e lubrificar todos os pontos de articulação e rolamentos de polia. Inspeção mensal: verificar a existência de deformação ou trincas na estrutura geral da garra (com especial atenção às articulações dos cascos e às ligações da travessa superior) e a espessura da camada antidesgaste do gume (proceder a soldadura de reparação ou substituição da lâmina quando a espessura for inferior a 40% da espessura original). Semestralmente, realizar ensaio de carga estática e teste do fator de enchimento.

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