Gancho de elevação forjado: propriedades mecânicas e ensaio de carga

A norma GB/T 10051.3-2010 — «Ganchos de elevação — Parte 3: Ganchos forjados» é a especificação dedicada aos ganchos forjados para guindastes. A norma define a terminologia, o tipo estrutural, os requisitos técnicos, o método de ensaio e as regras de inspeção para ganchos forjados, sendo aplicável a ganchos forjados em matriz e ganchos forjados livremente utilizados em equipamentos de elevação. O gancho é o «dedo» do guindaste — a sua qualidade e segurança afetam diretamente a segurança e a fiabilidade das operações de içamento.

A GB/T 10051.3-2010 é a Parte 3 da série de normas para ganchos de elevação, dedicada especificamente às propriedades mecânicas dos materiais e ao método de ensaio de carga estática para ganchos forjados. O gancho é o dispositivo de carga mais crítico do guindaste — o desempenho do material e a capacidade de carga estão diretamente relacionados com a segurança das operações de içamento e transporte. Este artigo apresenta uma análise detalhada do conteúdo principal da norma.

Norma GB/T 10051.3-2010 para ganchos forjados de elevação


Posicionamento da norma e classificação dos ganchos

A GB/T 10051.3-2010 é a Parte 3 da série GB/T 10051 «Ganchos de elevação», usada em conjunto com a GB/T 10051.1 (especificações técnicas gerais para ganchos) e a GB/T 10051.2 (especificação técnica para ganchos forjados). A norma define dois tipos estruturais de ganchos forjados: gancho de haste reta (fixado à viga do gancho através de uma porca de gancho) e gancho de olhal (ligado através de um olhal de elevação). Quanto à forma da secção transversal do corpo, os ganchos classificam-se em gancho simples e gancho duplo (Gancho em C). Quanto à forma da secção crítica do corpo, podem ser de secção trapezoidal ou em T. A gama de especificações cobre cargas de 0,25t a 320t, divididas em 15 graus de capacidade de elevação. A principal vantagem dos ganchos forjados reside no facto de a linha de fluxo do metal se distribuir continuamente ao longo do contorno do gancho, conferindo excelente resistência à fadiga e tenacidade, sem o problema de separação entre camadas típico dos ganchos laminados.

Requisitos técnicos

A norma impõe requisitos técnicos rigorosos quanto ao material, às propriedades mecânicas e ao processo de fabrico dos ganchos forjados:

Material — Os ganchos forjados devem ser fabricados em aço estrutural de carbono de alta qualidade ou em aço de liga estrutural, sendo as qualidades mais comuns a DG20 (aço 20 dedicado a ganchos) e a DG34CrMo (aço de liga dedicado a ganchos). O material deve apresentar boa plasticidade e tenacidade a baixa temperatura, com teor de carbono ≤0,25% (para garantir soldabilidade e tenacidade), e teores de P e S ambos ≤0,025%. Cada peça deve ser submetida a análise de composição química e verificação das propriedades mecânicas.

Processo de forjamento — Os ganchos devem ser produzidos por forjamento em matriz, com taxa de forjamento não inferior a 3:1 (razão entre a área inicial e a área final de forjamento), garantindo que a linha de fluxo do metal se distribui continuamente ao longo do contorno do corpo do gancho (não sendo permitido o corte da linha de fluxo na secção crítica). Gama de temperaturas de forjamento: temperatura inicial de 1150~1200°C e temperatura final ≥850°C. Após o forjamento, deve ser aplicado tratamento térmico de normalização (850~900°C, arrefecimento ao ar) seguido de revenimento (550~650°C, arrefecimento ao ar ou em forno), para eliminar tensões de forjamento e refinar a granulação.

Propriedades mecânicas — Cada gancho acabado deve ser submetido a ensaio de propriedades mecânicas: Limite de Escoamento ≥335MPa (DG20) ou ≥685MPa (DG34CrMo); Resistência à Tração ≥470MPa ou ≥785MPa; alongamento δ≥22% ou ≥14%; estricção ψ≥45% ou ≥40%; energia de impacto KV₂ (-20°C) ≥34J. Dureza: superfície do corpo do gancho com dureza HB 140~187 (DG20) ou HB 210~270 (DG34CrMo).

Gama de Capacidade de Elevação
0,25t~320t
15 graus de especificação
Materiais comuns
DG20/DG34CrMo
P+S≤0,025%
Taxa de forjamento
≥3:1
Fluxo contínuo
Limite de Escoamento
≥335MPa(DG20)
≥685MPa(DG34CrMo)
Energia de impacto
≥34J(-20°C)
Tenacidade a baixa temperatura
Fator de segurança
n≥4(geral)
n≥5(cargas perigosas)

Dimensões estruturais e parâmetros de projeto

A norma padroniza as dimensões estruturais críticas dos ganchos forjados: tamanho de abertura do gancho (largura da boca) — a título de exemplo, para um gancho de 5t, a abertura é de aproximadamente 60mm; raio de curvatura do gancho — o raio de curvatura interno da zona de engate não deve ser inferior a 2,5 vezes o diâmetro do cabo de aço; área da secção crítica do corpo — dimensionada para uma carga de trabalho segura de 4 a 5 vezes a Capacidade Nominal do gancho. O diâmetro do pescoço do gancho (parte da haste reta) é dimensionado para uma carga de trabalho segura de 3 a 4 vezes a Capacidade Nominal. Porca de gancho e dispositivo de fixação — o gancho deve possuir um sistema de fixação da porca com proteção contra afrouxamento (Contrapino ou calço de retenção), com altura da porca não inferior a 0,8 vezes o diâmetro da rosca do gancho. A ponta do gancho deve estar equipada com Trava de gancho (lingueta ou mola de retenção) para evitar o desprendimento acidental da carga.

Ensaios e inspeção

A norma exige que cada gancho forjado seja submetido aos seguintes ensaios e inspeções:

Análise de composição química — Análise individual dos teores de C, Si, Mn, P, S, Cr, Ni, Mo e outros elementos.

Ensaio de propriedades mecânicas — Extração de uma amostra de ganchos do mesmo lote (mesmo número de fusão) e da mesma especificação para ensaio de tração e ensaio de impacto.

Ensaio de Carga Estática — Cada gancho acabado deve ser submetido a um ensaio de carga estática, com carga de teste de 2 vezes a Capacidade Nominal (ganchos de uso geral) ou 2,5 vezes (ganchos para içamento de cargas perigosas), mantida durante ≥5min. Após o ensaio, deve ser medida a deformação residual do tamanho de abertura do gancho (o aumento da abertura não deve exceder 0,25% da abertura original). O Ensaio de Carga Estática é o método mais direto para avaliar a capacidade de carga do gancho.

Ensaio não destrutivo — A superfície do gancho deve ser submetida a Ensaio por Partículas Magnéticas (MT) para deteção de defeitos superficiais como trincas de forjamento, dobras e fissuras capilares. As zonas de transição nas extremidades do corpo do gancho devem ser submetidas a Ensaio Ultrassônico (UT) para deteção de inclusões internas e trincas. Critérios de Aceitação para MT: não são permitidas trincas ou indicações lineares. Critérios de Aceitação para UT: ausência de sinais de defeito superiores a Φ2mm de equivalente de bloco de fundo plano.

Teste de dureza — Cada gancho é submetido a detecção de dureza Brinell (HB) na superfície do corpo, com medição em três pontos distribuídos ao longo de três seções transversais distintas. Os valores devem situar-se dentro do intervalo especificado, não podendo a diferença entre os três pontos exceder 30 HB.

itens de inspeção Método requisitos da norma Frequência
composição química Espectrometria/OESAnálise P≤0.025% S≤0.025% Peça a peça
ensaio de tração Universal Ensaio Máquina σs≥335/685MPa δ≥22%/14% Por lote1Peça a peça
ensaio de impacto Pêndulo Ensaio Máquina KV₂≥34J(-20°C) Por lote1Peça a peça
Ensaio de Carga Estática 2.0~2.5múltiplos da carga nominal deformação residual≤0.25%Abertura Peça a peça
Ensaio por Partículas Magnéticas MT (Fluorescência por via úmida) Sem Trinca/Dobramento Peça a peça
Ensaio Ultrassônico UT (Onda transversal) ≤Φ2mm Equivalente Defeito Peça a peça

Critérios de Sucateamento para Ganchos de Elevação

As normas estabelecem critérios claros de rejeição para ganchos em serviço. Um gancho deve ser imediatamente sucateado e substituído se apresentar qualquer uma das seguintes condições: 1) Trincas — qualquer trinca superficial ou interna (detetada visualmente ou por END); 2) Deformação da abertura — aumento permanente do tamanho de abertura do gancho superior a 5% da dimensão original (medido com paquímetro); 3) Deformação torcional — ângulo de torção do corpo do gancho superior a 10° (medido com goniômetro); 4) Desgaste — quantidade de desgaste na seção crítica (ponto mais fino do corpo do gancho) superior a 5% da dimensão original; 5) Corrosão — corrosão superficial severa com picagens ou perda de seção transversal superior a 5%; 6) Dano térmico — descoloração superficial causada por queimaduras de arco elétrico ou aquecimento por chama; 7) Deformação plástica — empeno ou torção visível do gancho. O sucateamento do gancho é definitivo — o componente não é reparável e deve ser substituído assim que qualquer defeito for detetado. É rigorosamente proibido realizar reparações como soldadura de enchimento no gancho.


Tabela Comparativa de Propriedades Mecânicas de Ganchos de Elevação Forjados

A tabela comparativa seguinte apresenta os parâmetros essenciais das propriedades mecânicas de ganchos de elevação forjados, servindo de referência para a seleção e configuração em aplicações de elevação.

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Gancho Graugrau do materialLimite de Escoamento(MPa)Resistência à Tração(MPa)alongamento após fratura(%)
MGrau20Aço/25Aço≥245≥410≥22
PGrau35Aço/45Aço≥315≥510≥18
QGrauLigaaço estrutural≥390≥590≥15
SGrauAlto Resistência Aço Liga≥490≥690≥12

Perguntas frequentes

P: Qual é a diferença entre o gancho forjado e o gancho tipo laminado (ISO 4301)? Como escolher?
R: O gancho forjado é produzido por forjamento em matriz a partir de uma única peça de aço, sem qualquer junta no corpo do gancho. A linha de fluxo do metal acompanha continuamente o contorno, conferindo elevada resistência à fadiga e boa capacidade de absorção de impactos. É aplicável a guindastes de ponte rolante, pórtico, torre e guindaste móvel. O gancho tipo laminado é composto por várias chapas de aço unidas por rebitagem ou ligação aparafusada. A falha de uma única chapa não compromete a segurança do conjunto (redundância), e a resistência à propagação de trincas por fadiga é superior. É aplicável a condições especiais de trabalho, como o ambiente de calor radiante no içamento e transporte de metal fundido em pontes rolantes metalúrgicas, ou situações que exijam inspeção visual frequente e desmontagem de componentes individuais. Em geral, para aplicações standard, recomenda-se o gancho forjado; para ambientes de alta temperatura, calor radiante ou com necessidade de inspeção visual frequente, recomenda-se o gancho tipo laminado.
P: A trava de gancho é um requisito obrigatório?
R: A norma estabelece claramente que o gancho deve ser equipado com uma trava de gancho (lingueta ou fecho de mola) para evitar o desprendimento acidental da carga durante o içamento e transporte. No entanto, a instalação pode ser dispensada nos seguintes casos: 1) quando o gancho é utilizado para içar cargas flexíveis, como feixes de cabo de aço ou correntes (o dispositivo anti-queda dificulta a operação); 2) quando se utiliza um Gancho em C (gancho duplo) para içar bobinas de chapa de aço ou outros acessórios específicos (o próprio acessório possui estrutura anti-queda); 3) quando o limite de altura do gancho ou restrições de espaço impossibilitam a instalação do dispositivo. Ganchos sem dispositivo anti-queda devem apresentar uma placa de aviso bem visível e essa condição deve ser indicada no Manual de Operação.
P: Porque é que a carga de ensaio estático do gancho forjado, antes da entrega, é o dobro da Capacidade Nominal?
R: O ensaio de carga estática com o dobro da carga nominal baseia-se no princípio de projeto do fator de segurança do gancho n≥4 — o nível de tensão aplicado no ensaio corresponde a cerca de 50% do limite de tensão de projeto do gancho. Sob esta carga, o gancho permanece na fase de deformação elástica, apresentando uma deformação residual mínima após a remoção da carga. Se o gancho exibir deformação residual significativa (aumento da abertura superior a 0,25%) sob o dobro da carga nominal, tal indica problemas no material ou no Tratamento térmico do gancho. Assim, o Ensaio de Carga Estática funciona simultaneamente como meio de verificação da capacidade de carga e como “teste decisivo” para a Inspeção dos materiais e da qualidade de fabricação. Em condições especiais de trabalho (como o içamento e transporte de metal fundido), a carga de teste do gancho é elevada para 2,5 vezes a carga nominal.
P: Qual é a frequência da inspeção periódica dos ganchos em serviço?
R: Os requisitos da norma determinam que os ganchos em serviço sejam submetidos a inspeções periódicas, cuja frequência depende da intensidade de utilização e do ambiente: utilização normal em interior — inspeção visual trimestral (inspeção visual + medição da abertura com paquímetro) e inspeção completa anual (incluindo detecção de falhas por MT); utilização intensiva e frequente — inspeção visual mensal e inspeção completa semestral; ambientes de alta temperatura, corrosão ou abrasão — inspeção visual mensal e inspeção completa trimestral. A inspeção completa inclui: inspeção visual, medição do tamanho de abertura, medição do ângulo de torção, medição das dimensões da seção crítica e detecção de falhas por MT (detecção de falhas por UT, se necessário). Os resultados da inspeção devem ser registados no registo de inspeção dos ganchos.

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